terça-feira, 1 de abril de 2014

José Mojica Marins


Falar da obra do diretor José Mojica Marins e sua importância para o cinema nacional é tarefa difícil, pois graças a ele mesmo e seu senso de humor, nos acostumamos a ver sua persona como algo cômico. Antes de começar, peço que tire do rosto o sorriso debochado. José Mojica ri de si mesmo e sabe de suas fragilidades artísticas e pessoais, porém ele não as usa como um empecilho para sua criatividade. Suas ideias podem soar antiquadas, mas são suas próprias, não as copiou. Um diretor que bate no peito e diz: “Sou capaz”. Quisera o nosso cinema tivesse mais uns dez assim.

Para se analisar sua obra é preciso esclarecer algumas informações essenciais. O cinema de terror possui várias facetas, uma delas é o chamado “Gore” (horror explícito, nojento). Mojica iniciou esse tipo de cinema em 1964 com “À Meia-Noite Levarei a Sua Alma”. Somente em 1968, um diretor americano estreante chamado George Romero fez fama internacional utilizando o mesmo conceito em seu, hoje marco inquestionável do gênero, “A Noite dos Mortos-Vivos”. O diretor estrangeiro é respeitado e cultuado mundialmente, enquanto nosso Mojica é alvo de críticas e menosprezo em seu próprio País. Parte desse preconceito tem origem no próprio humor do diretor, que se permitiu ao longo de sua carreira utilizar o personagem “Zé do Caixão” em várias aparições públicas. Como se Sylvester Stallone aparecesse em vários programas de TV utilizando a faixa vermelha de “Rambo” na cabeça. O personagem tornou-se uma figura pública e passeou por várias mídias (quadrinhos, rádio, propagandas e atualmente um programa de entrevistas), um processo que, com o tempo, ajudou a banalizar o impacto que ele causava no seu público. Uma de suas obras menos conhecidas: “Ritual dos Sádicos” (de 1969), ficou proibida pelos militares de ser exibida por vinte anos, mas é uma pequena obra-prima do terror. 

José Mojica fez algo raríssimo no cinema nacional: ele criou um personagem complexo e fez fama internacional com ele, utilizando as nossas tradições e medos. Como autor e diretor, ele ousou pôr a cara à tapa, sem medo das críticas. Possivelmente, o preconceito irá continuar por aqui, onde ele continuará sendo tido pelo nosso povo, pelo seu próprio povo, como um velho louco. A história de sua fama internacional como “Coffin Joe” obterá mais capítulos e seu nome será seguido de palmas nos festivais de cinema fantástico pelo mundo afora. Nós continuaremos os mesmos e, para nossa sorte, ele também.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Make 'Em Laugh - Os Trapalhões


"Os Trapalhões" foi um grupo cujo trabalho, especificamente no cinema, exerceu profunda influência nesta paixão que alimenta diariamente minha inspiração. Os críticos da época ignoraram seus esforços, porém este sempre foi o tratamento usual a tudo que era intensamente popular (e,diferente do que esta expressão significa hoje, havia muita qualidade nos produtos de fácil acessibilidade, não eram popularescos). Eu tive o prazer de poder acompanhar seus filmes nos cinemas, vibrando em cada lançamento. Acompanhava-os em todas as mídias, colecionava suas divertidas revistas em quadrinhos e assistia a seus programas na televisão. Quatro artistas completamente diferentes, cuja química inexplicável provocava a imediata empatia. Não tinha como olhar para essa trupe e não escancarar um largo sorriso, como que antecipando que anarquia eles iriam aprontar.

Renato Aragão e Manfried Sant´Anna repetiam o clássico estilo: galã (escada)/bobo (como Jerry Lewis e Dean Martin), amalgamando a ele um humor circense tipicamente brasileiro. Os filmes que realizaram juntos não sobreviveram bem ao tempo (assim como muitos da fase inicial de Lewis e Martin), mas vale destacar os dois melhores deste período: “Robin Hood – O Trapalhão da Floresta” (1973) e “O Trapalhão na Ilha do Tesouro” (1974), ambos dirigidos pelo ótimo iugoslavo J.B. Tanko (responsável pelos melhores filmes do quarteto). Antônio Carlos, como o hilário “Guarda Azevedo” (Azevedis), rouba a cena na sátira “O Trapalhão no Planalto dos Macacos” (1976). Interessante perceber que ainda havia uma preocupação em explicar sua forma de falar (como na cena em que Milton Carneiro o corrige repetidamente), falhando em entender que “Mussum” era uma força irrepreensível da natureza, bastava colocá-lo defronte uma câmera, com ou sem roteiro. O filme perdeu o frescor e muitos elementos não funcionam mais, com exceção de todas as cenas em que ele se faz presente, tão simpáticas e engraçadas como em seu ano de estreia. No ano seguinte, o trio realizaria aquele que considero o melhor trabalho desta fase inicial: “O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão” (direção de J.B. Tanko), repetindo a parceria com a bela Monique Lafond (que já havia participado de “Bonga – O Vagabundo”, “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa” e “Robin Hood – O Trapalhão da Floresta”). Qual criança da época não se emocionou com a tristeza de Pilo (Aragão) carregando em seus braços o corpo desfalecido do cãozinho Lupa? Lembrança cinematográfica infantil quase tão traumática quanto a morte da mãe de “Bambi”. Claro que o final é feliz, fazendo uso da fantasia que emoldurava todas as tramas das obras do grupo, numa época em que o País necessitava de orgulho próprio (esportistas eram moldados midiaticamente para serem personagens mitológicos – com “temas musicais vitoriosos”, por exemplo). “Serra Pelada tem mais ouro que areia”, como citado em uma de suas músicas, exemplifica bem a importância motivacional do grupo em seu contexto social. “Didi” não terminava somente vencendo os vilões e salvando a donzela em perigo, mas também rico! Com a chegada de Mauro Gonçalves, no experimental e fraco “O Trapalhão na Guerra dos Planetas” (1978), era inserido, com seu caricato “Zacarias”, o elemento inocente e infantil, um misto mineiro de Harpo Marx e Stan Laurel.


 A segunda fase cinematográfica compreende suas melhores produções, que vão desde o ótimo “Cinderelo Trapalhão” (dirigido por Adriano Stuart, em 1979), passando por “Os Três Mosquiteiros (com “i” mesmo) Trapalhões” (novamente Adriano Stuart, em 1980), que considero o auge da fórmula cômica do grupo, chegando à obra-prima da comédia infantil brasileira: “Os Saltimbancos Trapalhões” (direção de J.B. Tanko, em 1981). Vale ressaltar também o interessante “Os Trapalhões no Auto da Compadecida” (direção de Roberto Farias, em 1987), a única vez em que o grupo ousou mexer na fórmula, fazendo com que os críticos, pela primeira vez, se rendessem ao inegável talento dos quatro.

Já a derradeira terceira fase cinematográfica causa em mim um dilema: são filmes que, passionalmente, me emocionam pela nostalgia (foi a época em que eu, criança, assistia-os no cinema), porém, racionalmente, constato que foi o período mais fraco. Obras como “Os Fantasmas Trapalhões” (1987), “Os Heróis Trapalhões” (1988) e “Uma Escola Atrapalhada” (1990) são uma coleção de equívocos (Gugu Liberato como protagonista heroico, índios voadores, “product placement” das formas mais absurdas possíveis, Supla e “Grupo Dominó”?), mas existem raras exceções, como “O Casamento dos Trapalhões” (dirigido por José Alvarenga Jr., em 1988), com a bela Nádia Lippi repetindo a parceria de “O Trapalhão na Arca de Noé” (1983), que consegue ser tão divertido quanto suas produções do início dos anos oitenta. Existem momentos nestas últimas produções do quarteto, como a chegada de “Mussum” no baile à fantasia (no fraco “A Princesa Xuxa e os Trapalhões”, de 1989) ou a relação de amizade entre ele e um “Grunk” carente (em “Os Trapalhões na Terra dos Monstros”, de 1989), que são como lampejos daquele humor esperto que os levou a serem abraçados pelo povo. Qualquer um destes filmes, mesmo os da inferior terceira fase, são melhores que as atuais produções cômicas popularescas produzidas pela “Globo Filmes”. Aliás, nestes tempos tão chatos do hipócrita “politicamente correto” (que impede filmes de terror à tarde na TV, mas convenientemente nada faz para impedir que pastores evangélicos exorcizem demônios no mesmo horário), sinto falta do “Quero morrer pretis!” ou o clássico “Preto é seu passadis”, que “Mussum” sempre soltava antes de beber seu “mé”. Enquanto muitos críticos exaltam “Os Três Patetas”, nunca achei muita graça neles. Sou muito mais “Os Trapalhões”, um quarteto de elementos tão contrastantes que é impossível de ser imitado.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Faces do Medo - "A Pele Que Habito"


A Pele Que Habito (La Piel que Habito – 2011)
O filme já se inicia evidenciando a “gaiola” em que o personagem (Elena Anaya) vive. Na primeira vez que o vimos, a câmera flerta com a imagem desfocada dele, antes mesmo do nome de Almodóvar aparecer, enquanto negras grades aparecem em foco. Um detalhe que não dura sequer quatro segundos em cena, porém de extrema importância, denotando assim o esmero técnico da produção. Ainda nos primeiros minutos da obra, a câmera nos apresenta sutilmente o livro que ele recebe, e que aparecerá lendo em outros momentos, como forma de tornar-se a “mulher” idealizada por seu criador. 

A escritora escolhida: Alice Munro, famosa pela forma como aborda as ambiguidades humanas, unindo com eficiência o “lugar comum” e o “fantástico”, porém sempre com leveza. Mais adiante na trama, veremos que o personagem também lê sobre o trabalho de Louise Bourgeouis, famosa artista plástica, que o inspira a realizar artesanais esculturas ao longo do filme e o salva de seu destino trágico, como descrito pelo próprio diretor nos créditos finais. Detalhes que não subestimam a inteligência do público, muito pelo contrário, dependem da cultura geral daquele que o assiste. Aos três minutos, Almodóvar já estabelece o essencial que precisamos saber sobre o personagem: vive aprisionado, interior e exteriormente, sob o olhar atento de alguém, a câmera na parede do quarto, que parece querer “modelá-lo” a seu bel prazer. Ainda nas cenas iniciais, o personagem procura algo em seu guarda-roupa e podemos ver vários vestidos rasgados, denotando algum tipo de revolta. Claro que o público, que começa a ver “desarmado”, percebe esse “truque” apenas ao revisitar a obra, mas esse exemplo mostra como a Sétima Arte é rica em minúcias, quando existe um cineasta competente no comando.

Quando o personagem vivido por Antonio Banderas adentra sua mansão, ocorre algo imperceptível aos olhos do cinéfilo menos atento: ele se encaminha para o quarto da vítima, porém rapidamente rejeita tal escolha, analogamente uma rejeição à sua condição natural, e segue para o quarto ao lado, onde continua a espioná-lo pela câmera. Outro exemplo de que nada é por acaso em obras de qualidade: a câmera segue a mão de Banderas, que pega um controle remoto num criado-mudo. O momento dura frações de segundo, mas ao lado do controle encontra-se um livro coerente à abordagem do diretor: “O Gene Egoísta” de Richard Dawkins, que apresenta uma teoria que explica a evolução das espécies na perspectiva do gene e não do organismo, renovando o “Darwinismo”, que vê os genes como simples veículos através dos quais os organismos se reproduzem.

Pouco tempo depois, o protagonista busca terminar com seu tormento, porém é salvo na última hora por seu criador. A câmera então focaliza em fortes arranhões nos dois seios, como numa tentativa de extirpar com sangue aqueles símbolos femininos de seu corpo. Após o estupro sofrido, pelo homem vestido de tigre, seu criador chega a cogitar matá-lo, mas no último instante atira apenas no estuprador e corre para abraçar sua criação. Este evento é o divisor de águas na relação dos dois. Aos seus olhos, não existe mais “Vicente”, mas sim a resistente pele que ele habitava: “Vera”. Almodóvar deixa implícito que o personagem de Banderas era um homossexual vivendo uma vida de aparências, com esposa e filha, pois se entrega lascivamente ao amor com sua criação, enquanto “Vicente” prova-se um heterossexual, que apenas aceita o sexo com ele, como forma de engendrar uma possível fuga. Ele evita em todos os momentos consumar a relação, mostrando-se nitidamente desconfortável. Almodóvar demonstra sua genialidade ao construir esses dois personagens: o homossexual Robert (Banderas), com todas as características masculinas, enquanto o heterossexual Vicente (Jan Cornet/Elena Anaya), com um emprego visto pela sociedade como típico de mulheres. Na visão do cineasta, assumidamente homossexual, nossa identidade sexual é ditada geneticamente, independente da “pele” que habitamos. A última fala da obra cristaliza todo o leitmotiv trabalhado, quando o protagonista consegue fugir de sua “gaiola” exterior e interior, ao reencontrar sua mãe e afirmar a ela e a si mesmo: “Eu sou Vicente”.

Estes são apenas alguns dos muitos detalhes a serem analisados neste filme, que melhora a cada vez que o assistimos. Esta interpretação é apenas uma das várias possíveis, o que evidencia o brilhantismo de Pedro Almodóvar.

O "Rio" de Carlos Saldanha

(Texto que escrevi em 2011, semanas após a estreia de "Rio", de Carlos Saldanha)


Envergonhado percebi que muitos críticos procuraram incessantemente falhas no projeto de Carlos Saldanha: “Rio”, assim como também reclamam sempre da visão que os estrangeiros possuem sobre nossa terra. Muitos críticos afirmaram que a animação não ajudava em nada a modificar a imagem que o país possui no exterior. Mas será que o complexo de inferioridade nacional é tão supremo que busca em uma animação infantil uma ferramenta mágica, cujo propósito seria reformular uma imagem que nossa própria sociedade não se vê apta a melhorar? Botemos então a culpa no Saldanha, já que omitir-se é um hábito brasileiro tão corriqueiro quanto incentivar o criminoso processo de vitimização de bandidos, como fizeram com o assassino do ônibus 174.

Para grande parte do nosso povo, o diretor de cinema tem a obrigação de mudar nossa imagem, como os professores tem a obrigação de educar nossos filhos, enquanto continuamos aqui apostando na mediocridade cultural, formando jovens semianalfabetos ao som de músicas deprimentes e programas de televisão que celebram marginais. Os pais vão ao cinema e se irritam com o Rio de Janeiro retratado pelos cineastas, depois chegam ao conforto de suas casas e discutem na sala em família sobre os rumos do reality show. Admiram quarenta minutos de exibições de lingerie no horário nobre e programas humorísticos onde para cada piada existe uma mulher seminua, para depois reclamarem da nossa imagem como sendo de um povo exageradamente sexualizado no exterior. Quanta hipocrisia. Mas a culpa é sempre dos cineastas que saem do país e não ajudam em nada a modificar nossa imagem lá fora. Que imagem?

E no caso do Saldanha é muito pior, porque ele é um brasileiro que está fazendo muito sucesso lá fora. Como sempre afirmo, artista de sucesso popular só se for estrangeiro. Artista bacana nacional tem que ser underground, falar esquisito, cuspir nos jornalistas, usar óculos escuros dentro de boate e forçar um papo político. Careta aqui é motivo de deboche. Até a Sandy ficou devassa depois de tantos anos de perseguição dos “pseudo-pseudo”. Artista brasileiro que vai para o exterior e fracassa, volta e é incensado. Artista brasileiro que vai para o exterior e faz sucesso, começa a ser alvo de perseguição, seus dias de glória já começam a ser contados regressivamente, com a mídia buscando destruí-lo a qualquer custo, procurando defeitos e possíveis erros. Mas botem a culpa no Saldanha que é mais cômodo.

Alguns críticos reclamam que a animação possui cenas com macacos-trombadinhas, pássaros traficantes, sequestradores e violência em favelas. Saldanha inseriu inteligentemente críticas sociais que se encaixam perfeitamente ao conceito da obra. Mas a dona de casa que nunca se preocupou em legar o hábito da leitura em seus filhos e escuta em alto e bom som as líricas letras do funk carioca, morrendo de rir ao ver sua filhinha de quatro anos dançando até o chão em movimentos sensuais, comenta que o filme apresenta para o mundo uma imagem errada do nosso cândido País. Realmente não existem essas coisas aqui, por mais que os traficantes que costumam eventualmente obrigar todo um bairro a parar de funcionar, fechando escolas e estabelecimentos comerciais a seu bel prazer, me façam franzir a testa em assombro. Constato triste que nossa realidade é muito pior que a imagem que possuímos lá fora. Mas isso pode mudar a qualquer momento, basta esta sociedade parar de culpar os outros pelos seus próprios erros. O primeiro e corajoso passo é admitir estes erros e começar a acender luzes onde as trevas assolam.

O que posso falar de “Rio”? Uma animação fantástica, um trabalho primoroso na dublagem comandada por Guilherme Briggs, com um senso de humor delicioso e um sensacional trabalho de reprodução dos cenários da cidade. Carlos Saldanha mostra a cada projeto uma maturidade importante, conquistando cada vez mais seu lugar na cinematografia animada mundial. Um trabalho no mesmo nível de “A Era do Gelo”, com muito requinte e respeito com seu público. Assim como as produções da “Pixar”, os filmes de Saldanha não subestimam as crianças e arquitetam sonhos que agradam pais e filhos da mesma maneira.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Chumbo Quente - "Winnetou: A Lei dos Apaches"


Winnetou – A Lei dos Apaches (Winnetou 1. Teil – 1963)
Uma saga de amizade começa. Quando o conflito entre brancos e índios é acentuado, por uma estrada de ferro, passando por terras apaches. Nesse momento Old Shatterhand (Lex Barker) encontra Intschu-Tschuna e seus filhos Winnetou (Pierre Brice) e Nscho-Tschi.


A distribuidora “Classicline” está preenchendo uma lacuna importante na coleção dos fãs brasileiros de faroeste, lançando a saga alemã “Winnetou”, adaptada dos livros de Karl May, precursora dos Westerns Spaghetti em sua atitude e no nível de violência, além de ser cofinanciado com verba italiana. O sucesso desse projeto nas bilheterias de lá encorajou os produtores a se aventurarem no gênero.

O Eastwood do diretor Harald Reinl é o americano Lex Barker, que havia interpretado Tarzan, de 1949 a 1953, tomando o lugar de Johnny Weismuller. O tom operático instaurado pela bela trilha sonora de Martin Böttcher, com certeza serviu de influência para o estilo grandioso que viria a ser adotado por Ennio Morricone em seus projetos. É interessante notar uma similaridade, por exemplo, na forma como a gaita é utilizada em “Era Uma Vez no Oeste”, de 1968. Achei curioso também notar como a versão americana cortou praticamente todos os vários alívios cômicos, como o personagem caricato inglês, que tenta conseguir boas fotos dos índios. São cenas muito eficientes, que concedem ao filme uma aura ainda mais calorosa. Mario Adorf (que faria o excelente “O Tambor”, em 1979), como o vilão Santer, protagoniza uma das cenas mais interessantes, quando um de seus comparsas joga em sua direção um revólver. É o tipo de atitude que viria a se tornar clichê nos filmes italianos no gênero.

As espetaculares locações na Alemanha e na Ioguslávia são favorecidas pela fotografia de Ernst W. Kalinke, utilizando com inteligência toda a dimensão do widescreen. Com ótimas cenas de ação, em especial o conflito final no local onde o ouro Apache havia sido escondido, essa empolgante aventura merecia esse resgate.

O DVD apresenta o filme em versão integral.