sábado, 15 de novembro de 2014

"Um Grito no Escuro", de Fred Schepisi


Um Grito no Escuro (A Cry in the Dark – 1988)
Nenhum corpo, motivo ou arma. Os fatos, no caso australiano de assassinato que envolveu Lindy e Michael Chamberlain, não se encaixam. Mas outras coisas sim: intolerância com a religião do casal. Um argumento retórico tomado como fato. E uma histeria que pareceu, em plenos anos 80, a caça às bruxas de Salem. Lindy vive o pesadelo de ter seu bebê carregado por um cão selvagem e ainda ter que suportar uma farsa montada no tribunal e na mídia.


Assistindo novamente após vários anos, fiquei impressionado com a relevância atemporal do filme dirigido por Fred Schepisi, um poderoso soco no estômago daquela parcela irresponsável da imprensa que se nutre de sangue e lágrimas, promovendo circos públicos no intuito de vender mais jornais ou conquistar melhores índices de audiência. O roteiro se desenrola na estrutura convencional dos dramas de tribunal, com Meryl Streep reservando toda a revolta de sua personagem nos olhos, evidenciando a naturalidade de suas atitudes imediatamente posteriores à tragédia, uma ingenuidade que foi utilizada implacavelmente pelos jornalistas. Esse é o foco da trama, o elemento que evitou que o produto ficasse datado.

A obsessão da mídia no caso foi brutal, com todos os programas de variedades tentando extrair de suas plateias uma reação, formadores de opiniões equivocadas e imediatistas. Como o sensorialmente morno não impede que o espectador troque de canal ou largue o jornal na mesa e procure outra forma de entretenimento, eles gradualmente manipularam as matérias para incitarem reações extremas, no caso, o ódio. Como o marido, vivido por Sam Neill, exercia uma vida de dedicação à sua crença religiosa adventista, não demorou muito para que os jornalistas estimulassem no público a possibilidade de que a bebê tivesse sido sacrificada pela mãe em um ritual satânico.

A justiça, trabalhando ainda sem o clamor popular, acreditou na óbvia inocência do casal, que era visto pelo povo com simpatia, mas a imprensa não descansou enquanto não arruinasse a vida dos dois, fazendo com que a opinião pública se virasse contra uma mãe que havia presenciado a sua filha ser devorada por um cão selvagem. A forma como o roteiro, do próprio diretor, insere frequentemente a opinião de pessoas comuns, que analisam o evento codificado pelos interessados no caos, porém com discursos rasos alicerçados em verdades absolutas, como se conhecessem intimamente aqueles estranhos, traz ainda mais profundidade à questão central.

Após a sessão, fica a reflexão do quão perigoso é julgar sem fatos. O erro da certeza que nasce após a leitura de uma manchete sensacionalista, algo tão atual em nossa realidade imersa nas redes sociais, um espaço onde pessoas compartilham notícias falsas sem preocupação alguma em checar as fontes. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

"O Homem Mais Procurado", de Anton Corbijn


O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man - 2014)
Com apenas três filmes no currículo, o diretor holandês Anton Corbijn consegue reafirmar sua segurança nessa ótima adaptação da melancólica obra de John le Carré, um dedo crítico apontado em desprezo aos métodos adotados pela inteligência americana da era Bush filho, que se torna ainda mais relevante por mostrar uma das melhores atuações do saudoso Philip Seymour Hoffman, como um solitário e desesperançado líder da agência secreta alemã contra o terrorismo, que, como é usual nos trabalhos do escritor, necessita resgatar a confiança em si mesmo e nos outros. É válido ressaltar a inteligência criativa de substituir o excesso de diálogos expositivos, usuais em tramas similares, pela utilização de elegantes metáforas visuais, que enriquecem a obra em uma revisão mais atenta.

A força do elenco ajuda a dar peso à trama, com destaque para Robin Wright, Daniel Brühl, Willem Dafoe e Homayoun Ershadi, parceiro de Kiarostami em “Gosto de Cereja”, que, mesmo limitado em um papel estereotipado, consegue impor sua presença. Um thriller adulto, coisa rara na indústria atual, onde as melhores cenas de ação ocorrem em trocas de olhares inebriados de uísque ou na fumaça do cigarro que o protagonista expele após mais uma desilusão. Um homem exaurido, um elemento que o ator sinaliza com a rouquidão da voz. Aquele tipo de suspense que depende exclusivamente do investimento emocional do público com o personagem, temendo pela consequência natural de seus atos.

E, diferente de outras adaptações do autor, o roteiro de Andrew Bovell não comete o equívoco de tentar abraçar todos os temas em duas horas, decidindo espertamente se focar no personagem vivido por Hoffman, cuja contraparte literária nem é tão interessante, mas que era enigmático o suficiente para ser explorado na linguagem cinematográfica. E o aspecto visual é um elemento essencial na condução da trama, graças à fotografia de Benoit Delhomme, com uma paleta azul fria que evidencia a onipresença da morte, não somente de forma literal, mas também ideológica. 

"Mesmo se Nada der Certo", de John Carney


Mesmo se Nada der Certo (Begin Again - 2013)
O roteirista e diretor irlandês John Carney repete aqui a fórmula de seu sucesso “Apenas Uma Vez”, mostrando o relacionamento amoroso por um viés de sutil doçura, contrastando com o excesso de beijos sôfregos dos romances da linha de produção americana. Nessa proposta, o ápice de uma cena romântica pode ser uma troca de olhares ou um toque das mãos, o foco está no sentimento que motiva a ação. Essa escolha pode incomodar aqueles que aguardam ansiosamente pelos clichês do gênero, defendidos normalmente por protagonistas de motivações fúteis e sem nenhuma complexidade psicológica. 

Todos os personagens são apresentados como seres pensantes, até anarquistas, na espiral descendente de suas vidas, mas, abraçando a contramão dos arcos narrativos redentores, que invariavelmente culminam em pouco críveis finais felizes, o roteiro se desenvolve na satisfação deles pela aceitação desses obstáculos como necessários no desenvolvimento de suas personalidades, naquele elemento que os diferencia numa sociedade formada, cada vez mais, por seres emocionalmente padronizados. Onde todos buscam a felicidade numa projeção utópica, eles aprendem que os reveses são também parte importante da vida. 

Gretta (Keira Knightley) e Dan (Mark Ruffalo) estão encarando uma profunda decepção profissional, com seus nobres ideais de carreira artística dando lugar à autocomiseração. Ele, um produtor musical falido, ela, uma compositora que perdeu toda a confiança em seu talento, após ser abandonada pelo namorado. O encontro dessas duas almas desesperançadas ocasiona, com o auxílio da bela trilha sonora, uma redenção poética. Sobra espaço ainda para uma corajosa crítica ao cenário musical atual, simbolizada pela presença de Adam Levine, da banda “Maroon 5”, interpretando com tinta forte um músico que trocou conscientemente sua integridade criativa pelo vazio do sistema industrial, que cria ídolos de barro imediatistas e canções com curto prazo de validade. 

É sempre prazeroso encontrar obras no gênero que recusem o conformismo sensorial, entregando relacionamentos críveis e verdadeiramente humanos. Costumo dizer que vejo mais robôs nos romances hollywoodianos do que nos filmes dos Transformers. A química entre o casal é cativante, as canções são de singela beleza, mas destaco a mensagem subliminar na cena que registra a declaração de resistência artística dos jovens, gravando seu disco nas ruas de Nova York, com aquela doce voz enfrentando a balbúrdia grosseira que a oprimia outrora. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Cine Noir - "Alma em Suplício"

Link para os textos do especial:



Alma em Suplício (Mildred Pierce – 1945)
O início do filme é espetacular, com a trilha de Max Steiner sendo interrompida pelo som dos tiros, seguido pelo tombar do corpo do personagem vivido por Zachary Scott, que pronuncia o nome da misteriosa protagonista. A forma como o roteiro, que adapta a ótima obra dramática de James M. Cain, o mesmo de “Pacto de Sangue”, para a estrutura pulp do Noir, incluindo o elemento do assassinato e a narração em flashback, sutilmente insere dicas sobre o mistério em pequenas atitudes, com a bela fotografia em preto e branco do genial Ernest Haller, trabalhando influências do expressionismo alemão, atuando praticamente como um personagem, tornando as revisões ainda mais prazerosas. É valorosa a coragem do roteiro, indo contra a censura do código Hays, de não fugir da insinuação de incesto entre a jovem filha, seu padrasto e a mãe. Ainda que a Mildred de Joan Crawford seja uma de suas melhores atuações, empalidece perante a complexidade de sua contraparte literária, uma mulher capaz de intensamente amar e odiar a filha. A adaptação mais fiel foi realizada recentemente, numa produção da HBO, com Kate Winslet.

A direção sempre precisa de Michael Curtiz, meticulosamente trabalhando o suspense na intenção de, como um ilusionista, fazer o público esquecer certos momentos, não perdeu sua contundência. Nos primeiros cinco minutos nós somos apresentados a uma cena de assassinato onde não vemos o assassino. Normalmente o foco é direcionado apenas para o preenchimento da lacuna detetivesca: “quem matou?”. O que torna o filme uma obra-prima no gênero é exatamente a audácia de inserir vários outros conflitos psicológicos na mesma sequência, como a verdadeira razão que leva a protagonista a tentar o suicídio, que serão revelados no sensacional desfecho. Claro que, devido à época em que foi feito, alguns dos truques de ilusão são, na realidade, manipulados de forma grosseira. O público da estreia não iria rever o filme diversas vezes no conforto de suas casas, então certos detalhes essenciais na resolução do enigma não eram percebidos, como a maneira com que a vítima fala o nome da protagonista na cena inicial, com um sentido totalmente diferente do que a maneira com que é falado na repetição posterior.

Um fato triste na produção, que simboliza bem o racismo da época, a participação de Butterfly McQueen, que havia atuado seis anos antes no épico “E o Vento Levou”, como uma estereotipada empregada doméstica que se mostra desajeitada até para atender um telefone. O impressionante é que, mesmo sendo presença marcante no filme, a atriz negra não foi incluída nos créditos. 

* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Classicline".

sábado, 8 de novembro de 2014

TOP - Filmes sobre Lobisomens


A licantropia já foi utilizada no cinema como analogia para a puberdade e para a crise da meia-idade, no fraco “Lobo”, com Jack Nicholson, até mesmo para aqueles infectados pelo HIV, como é o caso de Remus Lupin, imaginado pela escritora J.K. Rowling em sua saga “Harry Potter”. Diferente de outros monstros clássicos, não possui um cânone estabelecido, sendo imaginado desde a mitologia grega e tendo passado por vários “gatilhos” que explicavam a razão da transformação, o que motivou diversas interpretações ao longo dos anos. Por necessitar de muita caracterização, quase sempre os produtores decidem se focar nesse aspecto visual, deixando a criatividade narrativa em segundo plano. Existem muitos filmes sobre o tema, mas em sua maioria são esforços medíocres ou que não resistem em uma revisão. Para organizar essa lista eu revi cada produção, selecionando sem pensar no senso comum que se forma sempre entre os cinéfilos.

Esses são os meus dez filmes favoritos sobre lobisomens:


10 – A Noite do Lobisomem (El Retorno Del Hombre Lobo – 1980)
Somente aqueles cinéfilos mais apaixonados pelo gênero irão conhecer a saga espanhola do trágico Waldemar Daninsky, vivido em doze produções pelo halterofilista Jacinto Molina, ou Paul Naschy, como ficou conhecido fora de seu país. Com um orçamento mais generoso, esse é o único da série que realmente oferece um entretenimento de qualidade, colocando-o em confronto com uma vampira. A fotografia gótica é o melhor elemento, estabelecendo um excelente clima de pesadelo. A interpretação visceral de Molina, considerado o Lon Chaney espanhol, pode ser considerada uma das melhores já captadas pelas lentes do cinema.


9 – A Maldição do Lobisomem (The Curse of The Werewolf – 1961)
O único projeto sobre lobisomens dos estúdios Hammer mantém o estilo elegante de suas produções, ainda que não possa ser comparado em qualidade aos protagonizados pelo vampiro de Christopher Lee. Como opção à frente de seu tempo, recurso utilizado recentemente na série “Hemlock Grove”, a licantropia no personagem vivido por Oliver Reed é produto de sua concepção, tornando a situação da vítima ainda mais trágica. Nesse caso, foi utilizada uma analogia para o trauma de um abuso sexual, já que o garoto nasceu de um estupro. Esse aspecto reforça o interesse maior no desenvolvimento das motivações, em detrimento de cenas de ação, o que pode não agradar aqueles que buscam apenas a violência.


8 – Dog Soldiers – Cãos de Caça (Dog Soldiers – 2002)
Caso essa lista fosse formada pelas melhores cenas de ação com lobisomens, esse filme estaria em primeiro lugar. O diretor Neill Mashall, antes do sucesso com “Abismo do Medo”, consegue estabelecer um ritmo frenético com boa construção de suspense, como uma versão hardcore de “O Predador”. Lobisomens perturbadoramente altos e longilíneos compõem um visual novo e eficiente, outro mérito da obra que merece ser destacado. O problema é que, excetuando a adrenalina nas cenas dos confrontos entre os militares e os monstros, não há absolutamente nada no roteiro que eleve o projeto a algo mais que um ótimo videogame.


7 – Possuída (Ginger Snaps – 2000)
Esse projeto canadense parecia ser mais uma tolice visando o público jovem, mas já me surpreendeu de forma positiva inicialmente pelo excesso de “gore”, algo que o gênero parecia ter esquecido com o advento da computação gráfica. A protagonista vivida por Katharine Isabelle é atacada por uma fera selvagem, para o desespero de sua irmã, que luta para libertá-la dessa maldição. Sobram críticas à alienação adolescente e o conformismo, num viés espertamente feminista. Foram feitos dois filmes que mantiveram o nível, um sequel e um prequel, formando uma trilogia respeitável e que, pela abrangência de temas que suscita, como relacionamento de pais e filhos, transcende o próprio subgênero.


6 – A Maldição da Lua Cheia (The Boy Who Cried Werewolf – 1973)
Esse é muito pouco lembrado, mas me marcou profundamente quando assisti na televisão vários anos atrás, ainda que não tenha sentido medo. É uma produção barata, foi exibida nos Estados Unidos em sessão dupla com a pérola trash “O Homem Cobra”, que passava sempre no “Cinema em Casa” do SBT, mas compensa a ausência de sangue com um leitmotiv perturbador. Uma espécie de “Kramer Vs. Kramer”, com o divorciado pai sendo a vítima da mordida de um lobisomem, perante os olhos apavorados de seu filho pequeno. Por trás da licantropia imaginada em tom fabulesco, podem-se perceber temas pesados, como a analogia da maldição com o alcoolismo e os efeitos devastadores em uma família fragilizada, especialmente no psicológico de uma criança.


5 – Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London – 1981)
Caso essa lista fosse formada pelas melhores cenas de transformação, esse filme estaria em primeiro lugar. A lenta agonia do protagonista, enquanto presencia seu corpo sendo modificado grotescamente ao som de “Blue Moon”, cantada por Sam Cooke, inegavelmente é um dos melhores momentos já captados no gênero. O trabalho prostético de Rick Baker foi tão eficiente, que até nos esquecemos de como o roteiro é falho. O exagero no humor, especialidade do roteirista e diretor John Landis, acaba minimizando o impacto de vários momentos com potencial, como a abertura que remete ao clima dos filmes dos estúdios Universal.


4 – O Lobisomem (The Wolf Man – 1941)
O filme, fora de seu contexto, não é o melhor dentre os clássicos da época, como “Drácula”, “A Múmia”, “O Homem Invisível” e “Frankenstein”. Mas a importância dessa incursão dos estúdios Universal é tremenda, já que moldou muitas das particularidades que o personagem viria a apresentar nos esforços seguintes. A interpretação de Lon Chaney Jr., com a ajuda impecável do maquiador Jack Pierce, definiu para toda uma geração o conceito da licantropia, incluindo a ideia da clássica transformação nas noites de lua cheia, a infecção pela mordida e a periculosidade fatal da prata. Elementos criados pelo roteirista Curt Siodmak, que muitos acreditavam equivocadamente que havia se inspirado em lendas ciganas, copiados à exaustão até hoje.


3 – Grito de Horror (The Howling – 1980)
A maioria dos filmes sobre lobisomens abordam indivíduos amaldiçoados pela licantropia, normalmente em locais isolados. Esse projeto do diretor Joe Dante foi inovador por imaginar eles vivendo juntos, como um grupo social, em plena cidade. Outro aspecto interessante foi se desviar do clichê da relutância ao bestial, mostrando que existem pessoas que adorariam abusar desse poder destrutivo. E o excelente trabalho prostético de Rob Bottin somente é superado pelo realizado por Rick Baker em “Um Lobisomem Americano em Londres”. As transformações de Bottin ganham em realismo por causa da fotografia mais escura, que esconde melhor as limitações da época. E, diferente do citado clássico de Landis, considero mais ameaçador lobisomens bípedes.


2 – A Companhia dos Lobos (The Company of Wolves – 1984)
O diretor Neil Jordan, que anos depois viria a firmar seus pés com igual competência no cânone dos vampiros, com “Entrevista com o Vampiro”, realiza uma mistura surreal perfeita de fábula e horror. Deixando de lado qualquer premissa já estabelecida, ele bebe direto da fonte mitológica com total liberdade criativa. Ele compreende que, muito antes de Hollywood se apoderar da criatura, ela já existia no inconsciente coletivo do povo, então seu interesse reside nos alicerces psicológicos que asseguram sua longevidade. O roteiro busca referências no conto da “Chapeuzinho Vermelho”, utilizando a figura do lobo como simbolismo do desejo sexual, “gatilho” na transição da puberdade para a vida adulta. A atmosfera onírica é conquistada por mérito do designer de produção Anton Furst , do “Batman” de Tim Burton.


1 – A Hora do Lobisomem (Silver Bullet – 1985)
Subestimada adaptação do livro de Stephen King, responsável pelo roteiro, que transmite um clima único, um misto de nostalgia e pavor, valorizado pela ótima trilha sonora de Jay Chattaway. Corey Haim vive uma criança paralítica, que é perseguida por descobrir o terrível segredo de sua cidadezinha de interior: um padre querido por todos, mas que na realidade é um lobisomem. O conceito em si já é ousado e sombrio. Claro que ninguém acredita no menino, que acaba recebendo inicialmente o apoio da única pessoa que não tem crédito algum, sequer entre seus familiares, o tio bêbado vivido por Gary Busey. São vários elementos fascinantes, como a cadeira de rodas motorizada, que rende ao filme uma de suas melhores cenas, a da perseguição noturna pela floresta. Munido apenas de poucos morteiros, com um transporte frágil que pode desligar a qualquer momento, o garoto terá que enfrentar o temido lobisomem.