quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Peter Sellers - O Rato que Rugia


Considero Peter Sellers um ator que pertence a outro patamar artístico. Sua capacidade de transformação chega a ser assustadora, envolvendo não apenas a voz, como todo o seu corpo e mente. O próprio não sabia ao certo quem era, onde terminava o intérprete e iniciava o homem.

Imaginem a cena: Após tantos anos lutando para receber a aprovação da Academia, com uma indicação por um papel pelo qual lutou mais do que ninguém, Sellers aguardava com esperança o anúncio do vencedor do prêmio de Melhor Ator na cerimônia do Oscar. Ele acreditava tanto no personagem de “Muito Além do Jardim” (Being There – 1979), que durante vários anos esforçou-se em adquirir os direitos do livro para levá-lo para o cinema. Mandava semanalmente cartas para o escritor Jerzy Kosinski e o diretor Hal Ashby, emulando a maneira de falar do personagem e assinando em seu nome. A realidade é que o ator, aos trinta e oito anos e no auge de sua carreira, sofreu uma série de ataques cardíacos (treze em alguns dias) que permanentemente danificaram seu coração e o transformaram em um homem que corria desesperado para alcançar seus sonhos, no pouco tempo que acreditava ter em vida. Agarrava-se em qualquer crença que lhe prometia um amanhã melhor: tratamentos pouco ortodoxos, astrologia, curas espirituais, o que lhe desse conforto e reacendesse sua esperança. Em 1977, quando ainda aproveitava o carinho e a aceitação popular de seu personagem mais famoso, o inspetor Clouseau de “A Pantera Cor-de-Rosa”, sofreu mais um ataque cardíaco, que o deixou extremamente debilitado e dependente de um marca-passo. Afirmava ser o homem que mais havia ressuscitado no mundo.

Dois anos depois, sentia-se um sobrevivente e via no seu tão sonhado projeto, a última chance que teria de realizar sua ambição profissional. Sua saúde física já dava sinais de desgaste e seu temperamento tornava-se cada vez mais difícil, com picos de depressão profunda. Mesmo aparentando por fora ser um “leão”, um homem orgulhoso e dono de si, por dentro (psicologicamente) era como um “rato”, que ansiava pelo reconhecimento dos colegas de profissão e desejava muito uma prova tangível de que seus esforços tinham valido a pena. Incrivelmente autocrítico, odiava quase tudo que fazia. Basta assistir “Muito Além do Jardim” para perceber a sua imensa dedicação. Aquele era seu testamento em vida, o legado que queria deixar para a próxima geração. Um personagem totalmente diferente dos que ele já havia feito ao longo da carreira.

Na noite da cerimônia, o vencedor foi Dustin Hoffman por “Kramer Vs. Kramer”. Poucos meses depois, Sellers faleceria após mais um ataque cardíaco, aos cinquenta e quatro anos. Seu talento viverá para sempre e seu humor trará alegria a várias gerações no porvir, seja como o atrapalhado inspetor criado pelo diretor Blake Edwards nos filmes da franquia “A Pantera Cor-de-Rosa”, o chinês de “Assassinato por Morte” (Murder by Death – 1976), o figurante indiano que foi convidado por engano para a festa de seu ex-patrão em “Um Convidado bem Trapalhão” (The Party – 1968) ou como o fascinante alemão Dr. Strangelove idealizado por Stanley Kubrick em “Dr. Fantástico” (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb – 1964). Em sua extensa carreira, ficou famoso por interpretar múltiplos papéis em um mesmo filme e fazê-los de maneira tão distinta que chegava a assustar até mesmo seus colegas em cena. Em sua vida pessoal, travava diariamente uma penosa batalha interior, como ele mesmo um dia afirmou: “Se você me pedir para eu interpretar a mim mesmo, não saberei como fazer. Não sei quem ou o que sou”.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Encanto Eterno de Shirley Temple


Quando eu era criança, lembro-me de ter assistido na televisão, em uma véspera de Natal, aquele que considero um dos melhores filmes infantis de todos os tempos: “Heidi”, dirigido por Allan Dwan em 1937, com a inesquecível Shirley Temple. Com sua morte, assistindo a cobertura televisiva, peguei-me recordando de como era gostoso assistir os filmes dela nas reprises de “Sessão da Tarde”. 

Eu não era nascido na época dos “Batutinhas”, então ela era a única protagonista infantil que eu conhecia. Séries como “Super Vicky” e “Punky” somente foram transmitidas por aqui no finalzinho da década de 80. Ainda iria demorar alguns anos para que eu vibrasse com as aventuras de “Os Goonies”. Então, durante uma breve fase da minha infância, Shirley Temple era a única protagonista que eu conhecia que tinha mais ou menos a minha altura. Desconhecia totalmente o contexto em que estava inserida, mas o que me importava era que, independente dos percalços que ela sofria nas tramas, sempre havia a garantia daquele sorriso contagiante no final.

Hoje, como forma de homenageá-la, eu revi após muitos anos o belo: “Heidi”. Baseado no clássico romance infantil de 1880, escrito pela autora suíça Johanna Spyri, Temple interpreta uma jovem órfã que é enviada para viver com seu avô rabugento (Jean Hersholt) em sua cabana isolada nos Alpes. O avô inicialmente, tomado por forte amargura, evita se apegar à menina. Claro que a resistência dura pouco tempo. Grande parte do melodrama soa piegas e datado, como já esperava, mas é impossível resistir aos encantos da menina de cachinhos dourados. E, por mais que ela tenha se mantido atuando durante a adolescência em bons filmes, como no drama de guerra “Desde que Partiste” (1944) e no faroeste “Sangue de Heróis” (1948, sob o comando de John Ford), Temple está imortalizada em sua contraparte infantil. 

Ela foi uma ferramenta industrial projetada meticulosamente e explorada pelos produtores na época da Grande Depressão, onde os americanos precisavam ter esperança e acreditar novamente na beleza e na inocência, mas é um equívoco contextualizá-la tão friamente. A imagem que irei guardar dela (e, com certeza, mostrar para meus filhos um dia) é a última cena de “Heidi”, com a oração da menina e seu sorriso maravilhoso, pedindo pela felicidade de todas as crianças do mundo. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Cisne Negro, de Darren Aronofsky

Esta é apenas a minha interpretação para a trama, porém cada um criará sua própria e com certeza com ótimos argumentos que as sustentem. Este elemento é um dos que fazem com que esta Arte seja tão apaixonante.


Como a pintura Rorschach que ornamenta o ambiente em uma das cenas chave da trama, “Cisne Negro” (Black Swan – 2010) é passível a múltiplas interpretações. A pintura também representa a essência da obra, em que a protagonista valida o conceito freudiano da projeção, inconscientemente atribuindo características negativas de sua própria personalidade a outros personagens (especialmente Lily e sua mãe, que acredito ser uma criação de sua mente). Escolhendo contar sua história a partir do ponto de vista da protagonista, o diretor nunca deixa claro para o público se o que ele vê é real ou uma projeção da mente perturbada da jovem. Darren Aronofsky idealizou o projeto após ficar fascinado com “O Duplo” de Dostoiévski e imaginar uma analogia com a trama do balé “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, que também abordava o conceito de identidade. A escolha pelo mundo das bailarinas não poderia ter sido melhor, posto que provavelmente seja aquele em que a busca ininterrupta pela perfeição esteja mais presente (o culto à imagem, expressado sutilmente nos vários espelhos e reflexos no chão). As bailarinas perseguem uma perfeição impossível de ser alcançada e terminam destruindo seus corpos neste cruel processo.

Nina (Natalie Portman) habita uma infantil “gaiola” rosa e convive com seus ursinhos de pelúcia, sendo controlada por sua mãe (Barbara Hershey), que habita outra “gaiola” que funciona como um perfeito espelho de sua personalidade. Desenhos de Nina ocupam todo o espaço, deixando implícita sua frustração, levando-a a projetar toda a sua ambição não realizada na filha (ou seria a mãe uma ferramenta de autodefesa criada pela jovem?). No sonho que inicia o filme, a jovem testemunha perplexa a transformação física de seu parceiro de dança em uma ave de rapina, enquanto algo a impede de tornar-se um cisne (de alcançar a perfeição). A razão principal está nesta “gaiola” que a afasta progressivamente do mundo e a aproxima cada vez mais da medrosa proteção hipócrita de sua “mãe” (seu "eu interior"). Nina reprime seus sentimentos, caminhando cada vez mais torpe rumo à fronteira entre o real e o imaginário. Um detalhe que ajuda a percebermos esta mudança sendo operada é percebermos os momentos em que mãe e filha estão juntas em cena. Nas primeiras duas vezes, ambas parecem sósias (mesmo penteado, mesma atitude corporal), porém com o tempo vamos identificando mudanças na personalidade de Nina, que passa a rejeitar sua mãe (os penteados mostram-se radicalmente opostos, o coque impecável da mãe e o desgrenhado solto da filha), assim como descobrimos que sua versão dupla que parece persegui-la nas ruas, sempre aparece com o cabelo solto e uma atitude sensual. Próximo ao final, quando o estágio da rebeldia se encerra (simbolizado quando Nina joga seus ursos de pelúcia no lixo) e tanto a jovem como a mãe, naturalmente evoluem juntas após um confrontamento físico, novamente utilizam o mesmo penteado, encontrando a harmonia (de Nina com ela mesma).

Lily (Mila Kunis) representa seu exato oposto, exalando sensualidade e uma postura relaxada, o que imediatamente provoca na insegura jovem uma aceleração em seu processo de degradação mental. Após ter ido desesperada ao encontro do diretor (Vincent Cassel), desastradamente buscando ser aceita no papel principal, Nina acaba projetando sua culpa no espelho do banheiro, onde descobre desenhado a batom a palavra: “prostituta”. O auge desta projeção se apresenta quando Nina faz sexo com “Lily” (ela mesma) e seu lado sensual vence a “doce menina”. Liberta das amarras psicológicas que a reprimiam, passa a ser elogiada por seu diretor. Corajosa, enfrenta sua mãe (simbolicamente, enfrenta a si mesma) e consegue enfim transformar-se em um cisne. No dia de sua consagração, totalmente livre e confiante, “mata” sua projeção (simbolizada por Lily) e alcança a perfeição no palco ao transformar-se no “Cisne Negro”, recebendo empolgada ovação da plateia que grita seu nome. “Matando” sua projeção, “mata” a si mesma, encerrando a obra de forma genial. Em minha interpretação ela não morreu, mas sim aquela sua versão insegura de outrora, que vivia sob uma constante pressão da “mãe”. Seu colapso mental vai se intensificando com o tempo (os arranhões nas costas, cada vez maiores), terminando por “matar” sua sanidade, sacrificada em prol de uma perfeição ilusória, em nome da Arte.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tesouros da Sétima Arte - "A Vontade de Um General" e "Ao Cair da Noite"


A Vontade de Um General (Uomini Contro – 1970)
Francesco Rosi quase nunca é citado em listas de grandes diretores, porém seu conjunto de obra é espetacular, tendo influenciado nomes como Oliver Stone, Costa-Gavras e Gillo Pontecorvo, além de ser citado com muita admiração por Francis Ford Coppola e Martin Scorsese. Escolhendo adaptar o livro “Un anno sull'altipiano”, de Emilio Lussu, o diretor une o contundente discurso do autor, denunciando a insanidade da guerra, com uma análise pessoal sobre as relações de poder em grupos masculinos, corajosamente afrontando a clareza política e questionando o intervencionismo.

Tudo lindamente emoldurado pela fotografia de Pasqualino De Santis (que faria no ano seguinte “Morte em Veneza”, de Visconti), criando momentos inesquecíveis como a marcha dos soldados pela fumaça das bombas e, especialmente, a noite azulada iluminada pelas explosões na guerra de trincheiras. A trama aborda o desespero de soldados desmoralizados, guiados por um general (vivido por Alain Cuny) disposto a sacrificar seus homens até mesmo em situações desnecessárias, por simples capricho egocêntrico. O motim é questão de tempo, quando os pregos que mantém funcionando a engrenagem monstruosa e estúpida da guerra, acabam tendo a consciência de que a morte é uma condição mais digna do que aquela realidade sub-humana de existência. 


Ao Cair da Noite (Les Bijoutiers du Clair de la Lune – 1958)
No filme, Brigitte Bardot vive uma adolescente que acaba de sair de um convento e vai morar com sua tia e seu violento marido. Com o tempo, descobre que sua tia está tendo um caso com o mesmo jovem (vivido por Stephen Boyd) que havia lhe arrebatado o coração à primeira vista. A trama, que não deixa nada a dever aos melodramas de Douglas Sirk, possui mais méritos do que os críticos costumam citar ao analisarem o filme. A câmera parecia estar apaixonada por ela e a buscava em cena, sempre com uma atitude voyeur, brindando os espectadores com relances reveladores de seu corpo. Roger Vadim, que casou com ela após cortejá-la desde que ela tinha quinze anos de idade, criava os filmes como forma de apresentá-la ao mundo. Eram meros veículos para propagar aos quatro ventos a beleza de sua musa.

Uma cena em particular me surpreendeu positivamente: uma troca de olhares entre Bardot, Boyd e a tia, vivida por Alida Valli, logo após a morte do personagem vivido por José Nieto. O subtexto é transmitido de forma brilhante. Vários sentimentos se chocam, como o amor reprimido da personagem de Bardot ao descobrir o secreto romance entre sua tia e Lamberto (Boyd). Não sou fã do diretor, mas nesta cena ele provou ter talento. Já Bardot, que nunca considerei uma grande atriz, conseguiu ao final dessa sessão me fazer relembrar as razões que a tornaram um símbolo da sensualidade mundial. Nem Bob Dylan resistiu ao seu charme, tendo dedicado sua primeira canção à musa francesa. A realidade é que Bardot conseguiu domar até mesmo Godard, que a dirigiu no excelente “O Desprezo” (Le Mépris – 1963). O controverso diretor não pediu para ela interpretar a personagem Camille, mas sim que Camille se tornasse Bardot.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Truffaut e suas Cartas de Amor


Hoje é o aniversário do meu primeiro ídolo na Sétima Arte, aquele que me fez ver ainda criança que eu não estava sozinho no mundo. Eu era muito pequeno para entender plenamente suas obras, mas admirava sua história de vida. Um francês que amava tanto o cinema, que decidiu dirigir obras inesquecíveis além de escrever sobre o tema. François Truffaut não pensava como a maioria dos realizadores de sua época, seus objetivos eram puramente passionais e isso se reflete em sua obra.

Quando criança sentia-se rejeitado, pois não havia conhecido seu pai e havia sido largado por sua mãe à própria sorte, tendo sido criado  por seus avós maternos. Sua revolta era latente e o garoto a expressava através de atos de rebeldia e delinquência. Sua única felicidade era o cinema e a fuga da realidade que o mesmo proporcionava. Nele tornava-se o herói amado por todos, sensação que durava duas horas e era seguida pelo regresso amargo ao mundo real ao acender das luzes. Nas frias madrugadas, corria até os cinemas de rua e roubava as fotos e cartazes. Enquanto cometia esses pequenos furtos e transgredia as regras exteriormente, sua paixão interior o instruiu a organizar em sua adolescência um cineclube chamado “Cercle Cinémane”, que competia diretamente com um projeto similar do renomado crítico de cinema André Bazin. Com o tempo, o jovem foi vendo seu sonho se esvair, com pouquíssimos recursos financeiros e seu projeto à beira da falência. O experiente crítico ficou comovido pela paixão do jovem cinéfilo e tornou-se seu tutor. A partir deste momento pivotal, Truffaut começou a aprender mais sobre o tema, assistindo cerca de três filmes por dia e devorando três livros por semana, com toda sua pouca verba indo diretamente para custear sua paixão cinéfila. Seu pai adotivo, preocupado com o futuro instável que o jovem perseguia, internou-o num reformatório juvenil. Novamente com a ajuda de Bazin, o garoto saiu de lá e foi colocado em um emprego formal no cineclube do amigo, como seu secretário pessoal. O crítico instruía o jovem com o melhor que o cinema poderia oferecer, introduzindo-o em um seleto grupo de estudantes composto por gênios como Orson Welles e Roberto Rossellini. Com o excelente “A Regra do Jogo” de Jean Renoir, escreveu sua primeira crítica. Devido ao seu sucesso, foi contratado como jornalista pela revista “Elle”, porém continuava a contribuir com textos para outras publicações como freelancer.

Na década de cinquenta, com a criação da revista “Cahiers du Cinéma” fundada por Bazin e outros colegas, o jovem começou a ser notado por todos em seu meio após escrever um corajoso artigo polemizando sobre a tradição de qualidade do cinema francês, o que ajudou para que a revista se tornasse a melhor e mais respeitada entre os cinéfilos franceses. Para o jovem, o filme era uma obra autoral, representando diretamente o pensamento de seu diretor. Idolatrava Alfred Hitchcock, o que o ajudou a conduzir algumas entrevistas com o próprio, normalmente avesso a esse tipo de confronto. Suas ideias levaram ao nascimento da “Nouvelle Vague”, uma geração de cineastas autorais que, com pouquíssima verba e muita criatividade, iriam conduzir o cinema de seu país ao reconhecimento mundial, renovando nesse processo a estética da Arte pelo mundo. Ele foi mais além e provou que um crítico de cinema poderia criar uma obra autoral de grande qualidade, realizando em 1959 sua obra-prima “Os Incompreendidos” (Les Quatre Cents Coups), onde criava um retrato autobiográfico sobre sua infância e pré-adolescência conturbada. O filme lhe concedeu o prêmio de melhor diretor em Cannes e foi indicado à Palma de Ouro. Seguiram-se vários sucessos, entre eles alguns de meus favoritos como “Jules e Jim”, onde iniciou sua relação amorosa com a atriz principal Jeanne Moreau (mesmo estando ambos casados), “A Noite Americana” (sua sensacional declaração de amor ao cinema), “Fahrenheit 451”, baseado na obra do mestre da ficção científica Ray Bradbury (narrando um futuro pouco promissor onde os livros foram banidos em uma sociedade fria e totalitária) e o subestimado “O Quarto Verde”, que considero sua obra mais sensível e arriscada. Na década de setenta, recebeu um convite do fã americano Steven Spielberg e atuou em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”. Alguns anos depois, descobriu ser vítima de um câncer no cérebro e, antes de conseguir finalizar sua autobiografia, faleceu em 21 de Outubro de 1984, legando para a maior paixão de sua vida um futuro muito melhor do que quando ele havia iniciado.

Sua obra permanece viva e influente, pois nascia de um interesse muito maior que o imediatista sucesso financeiro ou realização profissional. Seus filmes eram extensões de seu trabalho como crítico, devotadas cartas de amor em celuloide endereçadas à Sétima Arte.