domingo, 3 de novembro de 2013

Guilty Pleasures - "Mestres do Universo"


Mestres do Universo (Masters of The Universe – 1987)
Mais uma picaretagem da dupla de produtores Menahem Golam e Yoram Globus, desta vez mirando o imaginário coletivo infantil. Não bastou eles terem destruído um mito mundial em “Superman 4 – Em Busca da Paz”, desta vez atacaram o “He-Man”, que já estava em decadência como linha de brinquedos na época da produção. Eu era criança na época em que o filme apareceu, lembro que meu pai trouxe da locadora e eu fiquei todo empolgado para ver. O filme simplesmente não tinha nada a ver com o desenho animado, já que o roteiro utilizou levianamente a versão anterior do herói nos quadrinhos que vinham encartados com os bonecos da Mattel. O roteirista David Odell tinha no seu currículo pérolas como “Supergirl” (1984) e alguns episódios dos “Muppets”, o que nos leva a pensar quais foram os critérios para sua seleção nesse projeto que carregava nos ombros a responsabilidade de salvar a linha de brinquedos.

O personagem principal (vivido pelo Dolph Lundgren) não era o príncipe Adam, era apenas o cara que havia matado o Apollo Creed e arrebentado com o Rocky Balboa, só que mais falante e com mullets. Não tinha “Gato Guerreiro”. Isso era muito frustrante para uma criança, como você pode imaginar. E o pior de tudo era o vilão, que ao final retornava triunfante e afirmava: “Eu voltarei”. Até hoje nada. Pura propaganda enganosa. Mas agora vem a informação mais importante: Eu comprei o DVD de “Mestres do Universo”. Como eu fiz isso? A grande realidade é que aprendi a gostar deste filho bastardo e me surpreendo assistindo nas madrugadas insones. Mesmo que seja só pra ver a Courteney Cox (de “Friends”) pagando mico em início de carreira.

Para os padrões medíocres da produtora, até que esse filme não era tão ruim. Comparado ao “American Ninja 5” (de 1993), canto desafinado do cisne “Cannon Group”, o projeto comandado por Gary Goddard (primeiro e único como diretor... Imagine o trauma da experiência) é surpreendentemente interessante. O talentoso Frank Langella, interpretando “Esqueleto”, consegue impor uma presença marcante e ser mais carismático que o próprio protagonista, cujas falas tiveram que ser regravadas repetidas vezes na pós-produção, já que ninguém entendia o que o inexperiente (não ter vocação também é um fator) Dolph Lundgren murmurava. Já a bela Meg Foster levou muito a sério (talvez até demais) sua caracterização como “Maligna”, aquela boneca que eu achava que tinha vindo com defeito por ter a pele amarela, inspirando-se em Lady Macbeth. Shakespeare se sentiu ofendido, tenho certeza. E o que dizer do Gorpo, que foi substituído por um parente do anão Willow (aquele da Terra da Magia)? Mas o maior problema é o desfecho, onde após todo um suspense razoavelmente interessante, culminando no clássico bordão do herói e o choque das lâminas, termina sendo encaminhado para uma disputa visivelmente mal coreografada. A questão era que os produtores avisaram o diretor, no dia da filmagem da grande batalha, que havia acabado a verba e que era pra ele finalizar tudo o mais rápido possível. A equipe técnica, que já estava com pagamentos atrasados, teve que ser incentivada pelo bravo diretor a elaborar uma forma de filmar o combate de forma rápida e barata. Os esforços resultaram em um absurdo blecaute e uma disputa tão empolgante quanto um filme do Terrence Malick.

Mas analisando com carinho, existem pontos positivos. A trilha sonora de Bill Conti é muito boa, a trama é simpática (ainda que seja um plágio dos quadrinhos dos “Novos Deuses”, de Jack Kirby) e o trabalho de dublagem nacional feito pela “BKS” é excelente. Garcia Júnior é um grande ator, coisa que Lundgren nunca foi. O sempre competente Isaac Bardavid como “Esqueleto”, além de Cecília Lemes (Courteney Cox), Eleu Salvador (Billy Barty) e Helena Samara (Christina Pickles), entre outros talentos dessa Arte.  

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O Cinema de Ozu - "Filho Único"


Filho Único (Hitori Musuko – 1936)
Uma mãe solteira sofre para conseguir criar e educar seu único filho. Com muito esforço, consegue que o rapaz vá estudar em Tóquio.


“A tragédia da vida se inicia com a ligação entre pais e filhos”. (Ryunosuke Akutagawa)

O cinema mudo no Japão era especialmente lúdico, graças ao acompanhamento dos Benshi (homens que narravam o filme, utilizando inclusive instrumentos musicais). Essa forma de arte foi esquecida com a ascensão dos filmes sonoros, mas continua exercendo fascínio nos cinéfilos orientais, que de vez em quando insinuam reviver o interesse por esse método. De certa forma, esse acompanhamento aliviava o peso narrativo das imagens, promovendo um distanciamento, fazendo com que os sentidos se focassem em absorver sentimentos, ao invés de compreendê-los. Complexidade coerente à tradição nipônica, cujos caracteres de seu alfabeto (como “Kanji”) representam mais que apenas meios de se compreender um fim. Um diagrama constitui muito mais que uma palavra, representando um estado de espírito impossível de codificar literalmente.
   
Essa beleza poética é personificada nos Benshi, que eram muito populares e adiaram por bastante tempo a entrada da revolução sonora na sociedade oriental. Ozu somente utilizou o recurso do som quando se sentiu confortável para inseri-lo sem prejudicar seu estilo. “Filho Único” foi sua primeira experimentação (sem contar o curta documentário: Kagamijishi). E com total segurança, ele insere uma crítica bem-humorada na cena em que o jovem acompanha sua mãe no cinema com o intuito de fazê-la conhecer o “cinema falado”, assistindo um popular filme alemão sobre a vida amorosa de Franz Schubert. A mãe não consegue se conectar emocionalmente ao filme e dorme na sessão. Ozu respondia ao chamado da modernidade do Japão da década de 30 (que incitava uma hegemonia militar) com a simplicidade de seus temas, emoldurados por sua câmera baixa ao nível dos olhos, em um “plano tatami”. Um exemplo perfeito do estilo de Ozu pode ser notado em uma cena que mostra o filho dando uma aula de matemática sobre círculos e ângulos retos. Um aluno se levanta e pede que ele explique melhor o assunto. A câmera coloca os personagens em uma espécie de círculo dentro da cena, no qual todos os ângulos de câmera são cortados em ângulos de 45 graus como se estivesse em uma circunferência imaginária que o professor está diretamente explicando. É um momento que pode passar despercebido, mas que me fez pausar o filme e rever, para ter certeza que não era simples coincidência.

Encontramos no filme a frustração de uma sociedade sem emprego e desacreditada dos ideais do período Meiji, forçada a abandonar os campos em busca de melhores condições de vida na cidade. A invasão de culturas estrangeiras (simbolicamente mostrados no filme alemão já citado, além do pôster da estrela americana Carole Lombard na parede) e o constante sentimento de que tudo iria ruir a qualquer momento, exemplificado pelo uso (por vezes, propositalmente, irritantes) dos sons-off diegéticos que estabelecem o enriquecedor elemento surreal. Por esses e muitos outros detalhes técnicos, além do fator emocional eficiente de sua trama, um tesouro pouco reconhecido e que merece constar em qualquer lista de melhores obras do mestre japonês.

A Seguir: “Era Uma Vez Um Pai” (1942)

Tesouros da Sétima Arte - "O Vento Será Tua Herança"


O Vento Será Tua Herança (Inherit The Wind – 1960)
O diretor e produtor Stanley Kramer era o homem mais corajoso na indústria de Hollywood, conseguindo transportar temas relevantes para o entretenimento das massas. Até mesmo em seu divertido “Deu a Louca no Mundo”, havia uma clara mensagem social por trás de todo o pastelão. Ele era aquela voz solitária que discutia assuntos espinhosos, evitados a todo custo por seus semelhantes. E “O Vento Será Tua Herança”, baseado em um caso real ocorrido em 1925, é um exemplo de como ele conseguia esquivar-se do panfletarismo ideológico, buscando compreender os “dois lados”, retratando-os com o mesmo carinho. Não existem estereótipos, vilões detestáveis e mocinhos amados, apenas homens psicologicamente tridimensionais que realmente acreditam deter a razão, sendo colocados em natural conflito de ideias. É o que ocorre com os protagonistas vividos por Spencer Tracy e Fredric March, homens com um histórico de amizade e admiração mútua, mas que se encontram ideologicamente em lados opostos. Criacionismo e Evolução, conceitos que ainda hoje (surpreendentemente) podem incitar uma briga, sendo abordados em 1960. Admirável!

O projeto fracassou nas bilheterias e dificilmente você verá sendo exibido na televisão. Na época, fanáticos religiosos berravam que o diretor era o “Anticristo”, exercendo a ignorância típica concernente ao fanatismo em qualquer área. Já na primeira sequência, o roteiro (de Nedrick Young, na lista negra e utilizando pseudônimo, e Harold Jacob Smith) explicita a essência da proposta. Um banner preso em árvores, ocupando toda a tela, com um nome: “BRADY”, esclarece a função do personagem de March na sociedade antes mesmo de sua primeira aparição. Ele é mais que um político, mais que um homem, ele é um símbolo de salvação, aquele que irá manter o demônio afastado da pequena cidade. E a evolução de Darwin era um diabinho inconveniente, que não podia ter voz. Como todo sacerdote de qualquer religião sabe, mentiras são necessárias para manter o povo sob seu jugo, sendo controlados pelo medo e pela possibilidade de redenção. E também sabem que a verdade é muito melhor amparada em argumentos, já que não se guia por um limitante “livro de condutas”, então a melhor solução é sempre impedir que os argumentos apareçam. Por essa razão, nas páginas da História, todos aqueles que buscavam alertar o povo para a verdade eram silenciados rapidamente. A discussão é uma ameaça, pois incita as pessoas a exercitarem o pensamento lógico, o raciocínio. O professor vivido por Dick York é afastado de sua sala de aula exatamente por estimular seus alunos ao livre pensar, ensinando-os sobre a evolução das espécies.

A população da cidade é mostrada desde o início como “zumbis”, entoando hinos religiosos como máquinas. Kramer também evidencia a impossibilidade da coexistência entre ideologia religiosa e política (algo muito atual em nossa realidade), culminando no discurso final do personagem de March, um homem que possuía uma grandeza de valores em sua juventude, mas que se perdeu ao extravasar frustrações e complexos em sua crença. Até mesmo o personagem do jornalista vivido por Gene Kelly, ainda que possa ser considerado um alívio cômico elegante, possui ao menos um momento ricamente escrito, onde expõe suas motivações em uma discussão com o advogado vivido por Tracy. Basta uma linha de diálogo (sobre ser um solitário), para que compreendamos todas as suas ações e seu interesse no caso. O mais triste é perceber que os “zumbis” agressivos mostrados no filme ainda existem em nossa sociedade. Vemos o povo demonizando cientistas e suas pesquisas, políticos querendo determinar leis de acordo com suas crenças religiosas, pastores acumulando fortunas, intolerância racial e homofobia. Podemos constatar pesarosos que o pensamento lógico e sensato ainda é um exercício facilmente substituível pela aceitação cômoda do cabresto. Stanley Kramer, falecido em 2001, continua sendo o homem mais corajoso na indústria.

Cine Bueller - "Gatinhas e Gatões"


Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles – 1984)
John Hughes já havia demonstrado sua competência como roteirista em “Férias Frustradas”, mas foi com seu primeiro trabalho na direção que ele realmente despontou para o mundo como o poeta da juventude. Após ter iniciado esse especial com sua obra mais adorada, nada mais justo que continuar celebrando sua Arte. E para entender o impacto e relevância de Hughes, basta analisar como eram os filmes feitos para os adolescentes nas décadas anteriores. Com raras exceções (como “American Graffiti”, de George Lucas), eram mostrados como caricaturas ambulantes que serviam apenas para morrer nas mãos de assassinos mascarados ou como alívios cômicos, normalmente representados por atores com o dobro da idade de seus personagens. Nenhuma atenção era dada aos seus anseios e angústias, nenhum sinal de simpatia genuína pelos jovens, sempre analisados pelo ponto de vista dos adultos. “Gatinhas e Gatões” foi revolucionário em sua simplicidade, ousado em sua objetividade. Enquanto o público estava acostumado a ser incentivado pelos roteiros a rir das tolices cometidas pela garotada com ar de superioridade, Hughes se colocava ao lado dos jovens, fazendo com que gargalhássemos com eles, não deles. A identificação era imediata, fazendo-nos crer que não estávamos sozinhos nesse turbilhão de intensas emoções e insegurança chamado “juventude”.

Quando o filme passava na “Sessão da Tarde”, os garotos da escola não comentavam no dia seguinte. Era “filme de meninas”. Anos depois é que acabei assistindo do início ao fim. Lembro que adorava o personagem do Anthony Michael Hall (The Geek), mas não conseguia me identificar com ele. Sua forma extrovertida de arriscar flertes com praticamente todas as colegas de classe era algo que eu invejava. O garoto era um fracasso, mas não podia ser culpado por não tentar. Samantha (Ringwald, com dezesseis anos na época das filmagens) hipnotiza o público desde suas primeiras cenas. A sua reação ao constatar que seus pais haviam se esquecido de seu aniversário é impagável e nos cativa imediatamente. Ela é o coração do filme, o elemento que equilibra os extremos do absurdo cômico e da austeridade dramática.

O roteiro também acerta ao retratar com fidelidade a atmosfera de uma escola, muros circundando uma ebulição de hormônios, adolescentes tendo que conviver com diferenças e descobertas. Quem não conhece uma história similar a do garoto que ostenta a calcinha de uma colega de classe perante outros rapazes, como forma de mostrar que não é mais virgem? É exatamente o tipo de situação que ocorre nesse período conturbado e fascinante. Ainda assim, diferente do que podia ser visto em similares da época, o sexo não era o foco do roteiro, como pode ser percebido na forma como Hughes subverte as expectativas em uma cena protagonizada por Hall e Molly Ringwald, em uma tentativa desastrada de sedução no carro, que culmina em uma séria discussão que revela a solidão e a carência emocional de ambos. No posterior “Clube dos Cinco”, o diretor aperfeiçoaria o conceito com excelência.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Encontros e Desencontros", de Sofia Coppola


Quando você olha para as paredes que circundam seu corpo e não se sente parte daquele ambiente, contrastando cada som estranho que atravessa pela janela fechada com a natural reação física de desconforto. Como se cada segundo demorasse o triplo do tempo, temendo o pôr do sol por saber que ele levará consigo a movimentação dos carros nas ruas. A sensação angustiante de estar preso em uma situação totalmente desconhecida, sendo apresentado a rituais novos, por vezes exóticos, que você sempre evitou por puro comodismo. Nesse estado de espírito é que encontramos os protagonistas de “Encontros e Desencontros” (Lost in Translation – 2003), desconhecendo completamente o histórico de suas vidas, mas imediatamente reféns dessa resiliência cativante que os faz sorrir com dificuldade, quando nada em seus dias justifica tal gesto.

A jovem Charlotte (Scarlett Johansson), que acompanha o marido fotógrafo em sua viagem de trabalho ao Japão, uma belíssima incógnita que busca encontrar na solidão do quarto de hotel, aquela motivação que outrora parecia tão instigante, um amor que provavelmente nunca havia sido colocado à prova. No mesmo hotel, o veterano ator Bob (Bill Murray), tendo deixado para trás a glória de seu sucesso, reagindo com desgosto à simples constatação de sua contraparte jovem na televisão, buscando esquecer que vive um relacionamento desgastado, que se resume à realização de tarefas como a escolha da cor de um carpete. Um artista vive de sensibilidade e desafios, mas ele está num lugar estranho, onde não consegue se expressar livremente e ninguém entende o que ele diz. Estrelando um genérico comercial de whisky, sendo excessivamente mimado por interesseiros que não fazem ideia de quem ele seja e recebendo ordens de um diretor que busca nele a atitude de outros artistas, o homem só consegue alguma paz embriagando-se nas noites em claro no bar do hotel.


O título original (“Perdido na Tradução”) representa o encontro de duas almas que perderam qualquer contato com os relacionamentos que os mantinha estáveis emocionalmente. O leitmotiv visual que acompanha Charlotte, sempre assistindo o mundo transcorrer pelas janelas, totalmente desconectada daquela realidade. O fotógrafo que ignora a esposa que pouco conhece e dá preferência aos flertes com uma amiga; a dona de casa que se entregou demais à rotina dos filhos e ao próprio trabalho. A diretora Sofia Coppola traduz essa angústia imageticamente com perfeição na cena da gravação do comercial. Vemos o diretor japonês completamente insensível à figura sentada perante os holofotes, um objeto ultrapassado que representa apenas cifrões em sua conta bancária. A tradutora desinteressada em detalhar as instruções dele para Bob, que compartilha a ignorância do que está se passando com o público, já que não existem legendas para o que está sendo conversado.


O desencantamento dos personagens com o rumo de suas vidas é trabalhado nos pequenos gestos, no subtexto de diálogos que são supérfluos. Como na bela cena em que Bob deixa transparecer sua emoção na interpretação descompromissada de uma canção (“More than This”) no videokê. Interessante perceber que ambos estão vestindo “máscaras”: uma peruca rosa e uma camiseta extravagante. Em apenas quinze segundos, Bill Murray vira um adolescente e deixa atravessar em seu rosto o amor juvenil que sente nascer pela bela garota com quem flerta, o desconforto por saber que estão ambos comprometidos, a saudade que sente de sua casa e a tristeza, que enfraquece sua voz, por ter a plena consciência de que nada daquilo é real ou duradouro. Mas a questão que o filme propõe ao final é: precisa ser? A amizade que dois estranhos compartilham em alguns dias pode ser mais poderosa e sincera que um casamento de vários anos. 

Você pode assistir dez comédias românticas americanas, que tenho certeza que não irá encontrar momento mais terno e verdadeiro que o simples toque dos dedos de Bob nos pés de Charlotte, quando estão dividindo a mesma cama, após uma balada noturna. Não há necessidade de trilha sonora manipuladora, pois investimos genuíno carinho naqueles dois personagens. A insegurança demonstrada na posição fetal da jovem e o tédio que ele expressa no desleixo com que preenche seu lado da cama. Lentamente percebemos a mão dele vencendo o medo da entrega do sentimento, a insegurança pela diferença de idades, procurando o toque que simboliza naquele momento muito mais que um beijo. E quando ele é finalmente expressado numa cena posterior, explode como a redenção de dois “caroneiros” na estrada da vida, que finalmente descobriram que não estão sozinhos, que alguém se importa. Eles precisaram viajar para o outro lado do mundo, para encontrarem na intensa solidão um eco em resposta aos seus gritos por socorro.