sábado, 9 de janeiro de 2016

"Verdades e Mentiras", de Orson Welles


Verdades e Mentiras (F For Fake – 1973)
Um especialista que afirma ser autêntica uma pintura falsificada não é um falso entendedor, muito menos uma vítima enganada, mas, sim, alguém como você e eu, um ser humano carente de aprovação, que necessita se sentir parte de algo importante. O que importa pra ele é ter o controle sobre a autoria da arte de outrem, definir o que é bom ou ruim. A verdade, como Orson Welles cita no filme, é a escova de dente te aguardando no banheiro. Ninguém se inspira com a verdade. O que faz a experiência da vida ser interessante é a farsa, os rituais rebuscados que complicam o que é simples. Não queremos a verdade, nos revoltamos contra ela. O efeito placebo das medicações, o efeito da fé para os religiosos. Guerras são criadas e alimentadas com base em mentiras. Queremos acreditar que o posicionamento das estrelas na hora de nosso nascimento possui alguma relevância em nosso comportamento, olhamos para o céu com o mesmo fascínio dos antigos, admirando o comum, na esperança inconsciente de encontrarmos o extraordinário. Welles confirmou isso em sua polêmica narração de rádio sobre a invasão marciana, algo que apavorou famílias inteiras. E, com base nessa reflexão sobre verdades e mentiras, ele criou esse excelente filme-ensaio.

Quando jovem, ele fingiu ter experiência como diretor de teatro, para conseguir sua primeira oportunidade no mercado, e brinca que poderia ter ido pra cadeia após o tumulto causado por sua narração de “A Guerra dos Mundos”, porém, acabou sendo mandado pra Hollywood, recebendo sinal verde para a produção de “Cidadão Kane”. Ninguém melhor que ele, um apaixonado por ilusionismo, tendo aprendido seus primeiros truques com Houdini, para falar sobre o falsificador de pinturas húngaro Elmyr de Hory, usado por seu biógrafo, Clifford Irving, que forjou uma conversação gravada com o recluso Howard Hughes, utilizando esse material como base para um livro. Orson também falsifica a reportagem sobre Hughes, exibida no filme como um registro real, chegando a utilizar um membro de sua equipe técnica interpretando o apresentador do telejornal. Três falsificadores muito competentes, três áreas artísticas: cinema, pintura e literatura. Mas a proposta não se resume a essa análise, vai muito além, discutindo a própria definição de autoralidade, questionando, em uma das sequências mais filosoficamente profundas no terceiro ato, a importância exagerada dada ao autor, o valor exagerado dado ao nome. Quando tudo for eventualmente consumido pelas guerras, ou pelo desgaste natural do tempo, a fraude e o autêntico irão perecer da mesma forma. O ser humano morrerá, e, sem o olho humano para validar a arte, da mais bela peça original até a mais desleixada cópia, tudo será lixo, tudo será nada. Celebremos então a beleza das catedrais, ainda que não saibamos os nomes daqueles que as construíram. A arte é mais importante que o artista.

A forma que ele utiliza pra passar a mensagem, com uma montagem caoticamente ousada e coerente com o tom piadista do discurso, acaba nos colocando como plateia de um show de prestidigitação, constantemente sendo guiados para focar a atenção na mão errada, enquanto o diretor, abusando de sua competente oratória, brinca com as expectativas. A conclusão se dá após a primeira hora da produção, com uma reencenação do encontro entre sua musa Oja Kodar, o avô moribundo dela e o pintor Pablo Picasso. É o clímax de um truque de mágica que esconde, em seu cerne, uma resposta aos textos da crítica Pauline Kael, que, no ano anterior, havia questionado a autoralidade de “Cidadão Kane”, diminuindo a participação de Welles em sua criação. Ele provou estar certo, mas o impacto da controvérsia na imagem dele enquanto artista foi prejudicial. Kael, a crítica de arte, uma especialista, alguém que precisa acreditar deter o poder de afirmar o que possui valor e o que não tem valor algum. Ela vive da farsa, tanto quanto os outros personagens do filme, assim como você e eu.

* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora Versátil, na caixa "O Cinema de Orson Welles", em parceria com a Livraria Saraiva. Também estão incluídos, além de ótimos documentários sobre as produções, os filmes: "O Processo", "A Dama de Shangai", "Grilhões do Passado", "Soberba" e "É Tudo Verdade". 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Nos Embalos do Rei do Rock - "Coração Rebelde"

Links para os textos anteriores do especial:


Dirigido por Philip Dunne, que havia roteirizado “Como Era Verde Meu Vale”, e com roteiro do respeitado ganhador do Pulitzer: Clifford Odets, de “A Embriaguez do Sucesso”, baseado no criticamente bem-sucedido livro: “The Lost Country”, de J.R. Salamanca, o projeto era visto pelo produtor Jerry Wald como emocionalmente mais promissor que “Juventude Transviada”. Foi, sem dúvida, o último filme protagonizado por Elvis Presley com verdadeiro potencial dramático.


Coração Rebelde (Wild in The Country – 1961)
Glenn Tyler quer ser um escritor de sucesso, porém, os conflitos de sua vida pessoal parecem demais para ele, até que ele envolve-se romanticamente com três mulheres, uma rica, uma psicóloga e uma espevitada, as três querem levá-lo a curtição e loucura total.


A aura nos bastidores era de total comprometimento artístico, até certa arrogância, por parte do diretor e alguns membros do elenco, por estarem seguros de que iriam transformar aquele “veículo de Elvis” (comentado em tom depreciativo) em algo mais relevante do que os filmes anteriores, um melodrama freudiano, algo que estava na moda na época. A própria Millie Perkins, um dos pares românticos dele em cena, confirmou em entrevistas posteriores essa sensação de superioridade que dominava a produção: “Era o pensamento de todos que estavam filmando: estamos realizando algo com mais classe do que esses filmes dele e somos muito melhores”. A elegante Hope Lange foi contratada para o papel da psicóloga que acaba se apaixonando pelo jovem. E até mesmo Christina Crawford, filha adotiva de Joan Crawford, foi escalada para uma ponta. O diretor Philip Dunne elogiou o interesse de Elvis, que, desde o início, tentava tirar todas as dúvidas, sem o estrelismo de muitos astros menos famosos. Perkins também afirmou diversas vezes o quanto ela ficou encantada com a educação, por vezes, antiquada, do rapaz. Ele sabia que tinha mais uma chance de se afirmar como ator dramático, não iria desperdiçar, então fez de tudo para que esse projeto fosse mais ousado do que “Balada Sangrenta” e “Estrela de Fogo”.

Os problemas começaram quando o produtor da Fox, Spyros Skouras, descobriu que o cantor iria protagonizar um filme sem sequências musicais. O chefão então ordenou que os compositores do estúdio criassem uma meia-dúzia de canções e jogassem na trama, sem se importar que, obviamente, não havia clima algum na história para que o protagonista soltasse a voz. Elvis, o produtor e o diretor, foram ao escritório em protesto, mas não conseguiram modificar a cabeça do homem de negócios. Dunne chegou a pedir demissão, mas Wald conseguiu acalmar os ânimos. Eles tiveram que assinar um acordo que garantia que as canções seriam incluídas no roteiro de forma que não poderiam ser cortadas na edição final. Toda a aura de superioridade foi minguando durante as semanas seguintes.

De fato, algo raro dentro da filmografia do astro, as músicas realmente foram incorporadas de maneira inteligente nas cenas. Aquelas que sobraram, já que, provavelmente quebrando o contrato, o diretor conseguiu cortar “Lonely Man” e “Forget Me Never”, deixando apenas as baladas “In My Way”, uma serenata curta para a personagem de Tuesday Weld, e a bonita canção-título, além da agitada “I Slipped, I Stumbled, I Fell”. Essa última, inserida numa sequência onde Elvis e Perkins estão numa caminhonete, transparece o profissionalismo do cantor, ainda que fique claro o desconforto dos dois. A jovem atriz estava tremendamente desmotivada, sentia vergonha pelo absurdo da cena, sem nenhum sentido dentro do arco narrativo do protagonista, um escritor introvertido. Após alguns ensaios, o diretor se afastou dos dois, Elvis então se virou pra colega com um sorriso debochado e disse: “Deus, isso é tão embaraçoso. Ninguém nunca faria isso na vida real. Como eles podem me pedir pra fazer isso?”. Os dois então trocaram uma intensa gargalhada e bravamente filmaram a sequência. Analisando a cena com atenção, você consegue perceber esse jogo dos dois, tentando fazer do limão azedo uma limonada.

Conheci o filme em 1997, ele vinha num box de VHS da Fox, com “Ama-me Com Ternura” e “Estrela de Fogo”. Dos três, foi a fita que mais passou tempo em meu aparelho de vídeo, já que rolava uma forte identificação com os conflitos do personagem, além do fato dele preferir mulheres mais velhas. “In My Way” foi uma das primeiras músicas que quis aprender no violão. Sempre achei que a Weld, numa ótima atuação como a prima atirada Noreen, estava emulando descaradamente os trejeitos do Kowalski de Marlon Brando, em “Uma Rua Chamada Pecado”. Lange, Weld e Perkins, três maravilhosos motivos para rever com frequência a obra. E, claro, Elvis em seu último papel realmente desafiador. Um ótimo filme que merece maior reconhecimento.

A Seguir: “Feitiço Havaiano” (Blue Hawaii)

Rebobinando o VHS - "Metalstorm", de Charles Band

Link para os textos do especial:


Em tempos de celebração mundial do novo “Star Wars”, eu acho válido resgatar um primo pobre que tentou capitalizar em cima do sucesso de George Lucas, a mente pensante por trás da produtora Full Moon, o diretor Charles Band, o homem por trás de guilty pleasures como: “Puppet Master” e “Trancers”.


Metalstorm (Metalstorm: The Destruction of Jared-Syn – 1983)
Numa distante galáxia, o herói Dogen resgata a bela Dhyana depois que o pai dela é assassinado por um renegado malvado chamado Jared-Syn. Para ajudar a moça a vingar a morte do pai, Dogen tenta descobrir onde fica o esconderijo do vilão, conhecido como "Cidade Perdida". O único que sabe o caminho é Rhodes, um antigo parceiro do herói.


É interessante salientar que Charles Band foi também um dos responsáveis pelo renascimento do 3D no cinemão hollywoodiano da década de 80, graças ao sucesso de obras de baixo orçamento como “Parasite”. Com “Metalstorm”, ele idealizou uma trilogia épica de ficção científica, em 3D, com uma melhor distribuição, torrando toda a grana que ele havia conquistado em sua carreira, quase três milhões de dólares, dinheiro de pinga pra George Lucas, porém, praticamente um Fort Knox pra ele. No roteiro, utilizou referências a “Mad Max” e “Star Wars”, com vilões que pareciam saídos dos tokusatsus que passavam na TV Manchete. Na época em que aluguei em VHS, achei que tivesse alguma ligação real com os responsáveis por Jaspion e Changeman, já que foi lançada pela “Everest Vídeo”, a mesma que era responsável pelas fitas dos heróis japoneses no Brasil.

O filme foi um fracasso retumbante, o vilão que, apesar do título original afirmar ser destruído, consegue fugir ao final, segue desaparecido num limbo das sequências que nunca foram feitas. Todos os planos ambiciosos de merchandising envolvendo várias mídias, como expansões nos quadrinhos e uma linha de bonecos, acabaram nunca saindo do papel. Mas o que realmente importa é que a bela Kelly Preston, a deusa que mexeu com a cabeça de todos os adolescentes da década de oitenta, graças aos excelentes serviços prestados em “A Primeira Transa de Jonathan” e “Admiradora Secreta”, protagoniza o projeto. Só esse detalhe já valia o preço da locação da fita. O herói vivido por Jeffrey Byron, um cara especialista na arte de arregalar os olhos como forma de disfarçar a total ausência de carisma, consegue ser pior ator que o Mark Hamill. 

Esse fracasso, no entanto, fez com que o diretor jogasse a culpa na distribuição e criasse sua própria produtora, a “Empire Pictures”, que lançou, anos depois, filmes importantes no gênero do terror, como: “Re-Animator” e “Do Além”. Nada é por acaso. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

"Os Oito Odiados", de Quentin Tarantino


Os Oito Odiados (The Hateful Eight - 2015)
Até mesmo na pior das hipóteses, nunca achei que iria me referir ao trabalho de Tarantino com esse adjetivo, mas, sim, “Os Oito Odiados” é um filme entediante. Um grandioso vazio costurado com toques do estilo característico do diretor, um olhar reverente aos clássicos do gênero (especialmente “Quadrilha Maldita”, de 1959) em sua apresentação (desde o nome do personagem de Samuel L. Jackson, uma espécie de Hercule Poirot do Velho Oeste, homenagem ao obscuro diretor de westerns: Charles Marquis Warren), porém, um olhar cansado, sem paixão. Diálogos previsivelmente longos em excesso, com aquela esperteza infantil de garoto irônico de condomínio de luxo tentando chocar os pais, traço recorrente em suas últimas obras, sendo defendidos por personagens caricaturais desinteressantes, em suma, uma aula de como desperdiçar um ótimo elenco. Os defeitos não são novidade, “Django Livre” também era protagonizado por tiras de cartolina ambulantes, mas, pela primeira vez, os defeitos estão inseridos em um todo que falha terrivelmente como entretenimento, não há diversão, com exceção de alguns bons momentos breves. O apelo para revisão é praticamente nulo.

O primeiro ato, uma longa hora, é uma piada curta e fraca contada por um gago, sem timing, sem ritmo, um fiapo de narrativa estendida ao nível do insuportável, com a trilha sonora original de Ennio Morricone, em tom épico, contrastando claramente com o blá-blá-blá unidimensional que está sendo executado. A trama é tão chata que me peguei, no meio de uma cena teoricamente importante, onde eu já deveria estar imerso nos conflitos em jogo, analisando como Tim Roth estava descaradamente emulando os trejeitos de Christoph Waltz. A ultraviolência que domina o terceiro ato, outra marca do diretor, aparece nesse caso como um bem-vindo despertador, ainda que sirva apenas como barulho, já que sequer havia memorizado os nomes dos personagens e suas funções. Vale salientar que, em um período de discussão sobre a representatividade da mulher na indústria, com protagonistas cada vez mais interessantes, não dá pra ficar incólume ao tratamento dado pelo roteiro à Daisy, vivida por Jennifer Jason Leigh, vítima de todo tipo de brutalidade, um saco de pancadas que resiste a tudo sem perder o olhar desafiador. Uma personagem forte ou uma masoquista inveterada? Pelo roteiro raso, não dá pra formar uma opinião.   

A opção pela restrição do espaço cênico, algo que sempre aplaudo em um roteiro, peca por funcionar apenas como um ambiente reduzido onde os personagens trocam diálogos redundantes e sem impacto narrativo. Não basta enfiar vários personagens em uma pequena sala de júri, “12 Homens e Uma Sentença” é brilhante por ter um roteiro inteligente que conseguiu, em menos da metade do tempo desse faroeste, criar tensão e tornar relevantes aqueles doze homens. Tarantino foi incompetente a ponto de não conseguir criar tensão e dar relevância aos seus oito. É curiosa a opção pela fotografia em 70 mm, com lentes anamórficas que prometem uma exploração maior com profundidade de campo e cenários amplos, elementos que não combinam com um filme de câmara passado quase que todo em uma cabana, local onde os personagens ficam isolados durante a maior parte do tempo. Argumentar que o escopo da imensa razão de aspecto favorece qualquer coisa nesse cubículo escuro é forçar a barra, querer enxergar desenhos em nuvens. Quanto mais eu penso sobre a trama, pior ela fica, uma grande bobagem.

Há um tremendo potencial no projeto, que poderia aprofundar a alegoria da cabana como uma representação dos Estados Unidos, algo que a frequentemente mencionada carta de Lincoln e a letra da canção dos créditos-finais, cantada por Roy Orbison, parecem evidenciar, porém, não dá pra afirmar que é uma metáfora executada de forma eficiente, já que depende da tremenda boa vontade do crítico em suportar o tédio e fechar os olhos para todos os problemas, preenchendo lacunas, procurando desesperado alguma réstia de luz.  O filme, fraca inclusão na filmografia de Tarantino, não merece tanto escrutínio. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Kung-Fu Fighting - "O Grande Dragão Branco", de Newt Arnold

Link para os textos do especial:


O Grande Dragão Branco (Bloodsport – 1988)
Antes de percorrer com maior atenção as pérolas dos Shaw Brothers, as obras de raiz, nesse especial, eu não poderia deixar de incluir esse trabalho protagonizado por Jean-Claude Van Damme, responsável, junto de Bruce Lee e Jackie Chan, por meu apreço pelo gênero. Hoje pode ser alvo de zombaria, mas no auge da era das videolocadoras, reinava supremo dentre os mais alugados. Aos olhos de uma criança que ainda não conhecia o MMA, a pancadaria franca exibida no torneio secreto Kumitê, aquela troca de chutes, era a evolução natural dos rounds disputados por Rocky Balboa. A coreografia das lutas que misturavam Ninjutsu, Capoeira, Sumô, Full Contact, Muay Thai, Boxe Tailandês, Kung-Fu (e variações, como o Drunken e o Monkey Kung-Fu), Taekwondo e uma boa dose de movimentos plasticamente bonitos que só funcionam quando captados no ângulo certo pela câmera, como o hoje icônico chute 360 graus, eram um convite para qualquer moleque sair arriscando repetir nas reuniões com os coleguinhas.

Em uma época sem internet, a diversão era tentar aquela abertura de pernas nas festinhas de aniversário, o que resultava, inevitavelmente, em cadeiras quebradas e dores pelo resto da semana. O filme, dirigido por Newt Arnold, assistente de direção em títulos como “O Poderoso Chefão 2” e “Blade Runner”, mantém até hoje o seu frescor, ajudado por uma inspirada trilha sonora de Paul Hertzog e um roteiro sem gordura extra, escrito por Sheldon Lettich, que depois seria responsável pelo roteiro de “Rambo 3” e pela direção de “Leão Branco – O Lutador Sem Lei”. Como não se empolgar escutando “Fight to Survive”, cantada por Stan Bush, que emoldura a montagem de lutas no torneio? O principal mérito é a presença de uma ameaça verdadeiramente carismática, o impiedoso Chong Li, vivido pelo grande Bolo Yeung, alguém que impõe medo apenas com seu olhar doentio, um personagem que se mostra um psicopata sem qualquer traço de empatia.

Por outro lado, como não simpatizar com o boa praça Frank Dux? Van Damme colabora com seu carisma habitual, seu grande diferencial enquanto lutador marcial de cinema, compondo uma figura heroica diferente do que Hollywood entregava à época. Ele não era um combatente de guerra, ou um lutador movido por um código de honra, ele simplesmente queria provar que era capaz de evoluir em sua arte, honrando o nome de seu falecido mestre. O maior desafio, seu teste de fogo, foi manter seu controle emocional, após ver seu amigo sendo destruído, desmoralizado na arena. Quando ele silencia, focando seus sentidos, imerso no calor da batalha final, a sua mente prova que todos os ensinamentos estavam apenas aguardando serem ativados na hora certa, tudo que ele precisa é ignorar o medo, único elemento que Chong Li, um showman, sempre utiliza para desequilibrar seus oponentes antes mesmo do início das lutas.