terça-feira, 8 de novembro de 2016

Cine Giallo - "5 Bonecas Para a Lua de Agosto", de Mario Bava


Cinco Bonecas Para a Lua de Agosto (5 bambole per la luna d'agosto – 1970)
Um grupo de amigos é vítima de assassinatos misteriosos numa ilha paradisíaca. Inspirado livremente em “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie.

Quando entrevistei o colega crítico norte-americano Tim Lucas, especialista na obra de Mario Bava, eu citei “Cinco Bonecas Para a Lua de Agosto” como um dos meus favoritos em sua filmografia. A razão? O resultado me fascina como uma mensagem criptografada, um enigma que parece se complicar mais a cada revisão, um convite para variadas interpretações, um roteiro em que nada se desenvolve de maneira previsível. Gosto de roteiros que continuam instigando questionamentos dias após a sessão. O assassinato na sequência inicial, respeitando a fórmula básica e facilmente identificável de cenas similares, acaba se revelando uma farsa tola, estabelecendo o tom debochado. A bela aparentemente indefesa, desgastada vítima dos gialli, pode se mostrar experiente em artes marciais. A estrutura whodunnit, a própria característica principal do gênero, a teatralidade sádica e estética dos assassinatos, elemento essencial também do giallo, ocorre sempre fora do alcance da câmera, até mesmo confrontos físicos menores entre personagens são atrapalhados por objetos de cena que bloqueiam a visão do espectador. 

O leitmotiv visual dos patéticos corpos humanos dividindo espaço no freezer com pedaços de carne bovina, a trilha sonora debochada de Piero Umiliani que remete às brincadeiras infantis, a apatia dos sobreviventes que parecem aguardar tranquilos na ilha, conscientes do fim trágico, metáfora criativa para a finitude, por trás do contexto raso que envolve a ambição do assassino que deseja obter a fórmula de um cientista em uma reunião de empresários, algo que nunca é devidamente explicado. Esse MacGuffin frágil e pequeno, aquilo que desejamos entender a vida toda sem sucesso, o sentido da existência, o enigma que nos entretém enquanto aguardamos na ilha paradisíaca que esconde perigos em cada trecho de terra, enquanto traições ocorrem e novos amores são despertados, som e fúria, até que acabemos pendurados na inevitável câmara frigorífica, destituídos de qualquer falsa importância social que tenhamos logrado conquistar no decorrer da experiência. 





* O filme foi lançado em DVD pela distribuidora "Versátil", com a curadoria sempre impecável de Fernando Brito, na caixa "Giallo, Vol. 3", tendo como material extra uma apresentação em vídeo do próprio Fernando, que já ministrou cursos sobre a obra do cineasta italiano. A caixa contém ainda os seguintes títulos: "Premonição" (1977), "No Quarto Escuro de Satã" (1972) e "Os Passos" (1975).

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Tesouros da Sétima Arte - "Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos"


Mishima – Uma Vida em Quatro Tempos (Mishima: A Life in Four Chapters – 1985)
A figura do escritor japonês Yukio Mishima é muito pouco conhecida pelo público brasileiro, o que engrandece a importância desse resgate que a “Obras Primas do Cinema” realiza. É difícil não finalizar a sessão sem sentir um desejo enorme de ler seus trabalhos. Eu já havia sido impactado pelo minimalismo estético de “Mar Inquieto” e ficado encantado com o lirismo de "O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar" e a coletânea de contos “Morte em Pleno Verão”, mas ainda preciso ler outras obras dele, especialmente as mais celebradas, como “Confissões de Uma Máscara” e “O Templo do Pavilhão Dourado”.

A opção de Kimitake Hiraoka pela utilização de um pseudônimo já denotava o apreço do jovem pela teatralidade, um caminho ideologicamente complexo que o conduziu para um desfecho ritualístico altamente simbólico em 1970, após conquistar o reconhecimento de crítica e público por seus livros, endereçou aos seus editores um envelope contendo o final do livro que estava escrevendo, juntou-se aos companheiros da Sociedade do Escudo, organização de extrema-direita que ele havia criado dois anos antes e seguiu para o quartel-general das Forças Armadas em Tóquio. Com agressividade, obrigou o general a permitir que ele fizesse um discurso para todos os oficiais, em que bradava o amor pela tradição cultural japonesa e a necessidade da nação não perder sua identidade no processo de ocidentalização. Após o discurso inflamado, Mishima cometeu no local o seppuku, o ritual de suicídio do guerreiro samurai. Uma personalidade fascinante que viveu em conflito com sua sexualidade e o medo da degradação física, buscando se expressar artisticamente de diversas formas, tendo sido cantor, ator e cineasta, também adorava fotografia, uma atitude que representava a libertação de uma infância e adolescência escravizadas pela timidez.

O filme do roteirista/diretor Paul Schrader abraça uma estrutura narrativa coerente com a pena poética que guiou o escritor, emoldurada pela trilha sonora maravilhosa de Philip Glass, intercalando passagens de sua vida com dramatizações propositalmente artificiais de segmentos de seus livros, cada título com sua própria paleta de cores na fotografia, e flashbacks da infância e adolescência em refinado preto e branco. O resultado está longe de ser popular, não é o tipo de produto que você consegue encaixar na grade televisiva com cortes para os intervalos comerciais, esse projeto é trabalho de gente grande, material pra ser visto ajoelhado em reverência. A crítica mundial normalmente celebra, de forma justa, o texto de Schrader para “Taxi Driver”, de Scorsese, mas eu considero “Mishima” o seu melhor momento no cinema, um tesouro que precisa ser reavaliado.


* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Obras-Primas do Cinema", com excelente material extra, quatro featurettes revelando mais sobre os bastidores da produção e a vida do homenageado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

TOP - Séries de TV (que marcaram a minha vida)

Neste mês é celebrado mundialmente o Dia da Televisão (21 de Novembro), então decidi compartilhar com meus leitores as quinze séries televisivas que marcaram minha vida até o momento. Não é a escolha de um crítico, preferi fazer uma lista emotiva, com alguns títulos que normalmente são desprezados pelos pseudointelectuais. E preferi me ater às séries que já foram finalizadas, já que, na maioria das vezes, cai a qualidade dos roteiros e eu vou perdendo o interesse ao longo das temporadas. A exceção é "Arquivo X", que teve uma nova temporada moderna, mas levo em consideração apenas a jornada original. Vale ressaltar que a lista não está em ordem de preferência.


Anos Incríveis (The Wonder Years - 1988 a 1993)
A TV Cultura era a emissora que eu mais via na infância, passava Rá-Tim-Bum, Pingu, Tintim, O Mundo de Beakman e essa preciosidade chamada "Anos Incríveis". Os episódios eram pura poesia, nostalgia, elegância e ternura. O tipo de entretenimento que infelizmente não se faz mais hoje em dia. As crianças já foram mais respeitadas pelos veículos de comunicação. 


Jornada nas Estrelas (Star Trek - 1966 a 1969)
Capitão Kirk, Spock e McCoy, são mais que personagens de uma série, eles ajudaram a formar o meu caráter. A série que fez com que eu me apaixonasse perdidamente pela ficção científica ainda na infância.


Twin Peaks (1990 a 1991)
Ainda criança na época da exibição, eu não entendia nada da trama, mas a atmosfera me prendia no sofá. Anos depois, ao rever a série, já apaixonado pela filmografia do diretor David Lynch, quis ler tudo o que encontrava sobre a produção. A televisão não foi mais a mesma depois da morte de Laura Palmer. 


Monty Python Flying Circus (1969 a 1974)
A série, especialmente as duas primeiras temporadas, representa a criatividade cômica elevada à enésima potência. Quando vejo o público de hoje celebrando qualquer sitcom tola, constato que o público da "sala de jantar" ainda não está preparado para a irreverência do grupo.


Batman (1966 a 1968)
É impossível sintetizar a importância desta série na minha infância. Eu acompanhava diariamente nas exibições vespertinas no SBT, desferindo socos no ar junto com os heróis nas clássicas sequências de batalha com onomatopeias.


Breaking Bad (2008 a 2013)
O melhor momento da dramaturgia televisiva recente, roteiros geniais, não tem sequer um episódio ruim. Uma aula de como desenrolar uma trama sem gordura extra, com pleno desenvolvimento de todos os personagens. Trabalho de gente grande. 


Married with Children (1987 a 1997)
A modinha na minha época de adolescente era ser fã de "Os Simpsons", mas eu nunca me senti cativado pela animação. É como "Os Três Patetas", eu compreendo o valor, mas não consigo gostar. Irreverência mesmo eu encontrei na família Bundy, com tramas ousadas para a época, ultrapassando todos os limites do politicamente correto. 


Arquivo X (The X-Files - 1993 a 2002)
Uma mitologia rica em possibilidades, uma dupla de personagens carismáticos, enredos instigantes e uma música-tema inesquecível em seu minimalismo. 


Chaves (El Chavo del Ocho - 1972 a 1979)
O saudoso Roberto Gómez Bolaños escreveu episódios em que vários diálogos e cenas entraram para a cultura pop nacional, um personagem que nunca irá envelhecer, humor ingênuo, inteligente e puro.


Esquadrão Relâmpago Changeman (Dengeki Sentai Chenjiman - 1985 a 1986)
Com o futuro lançamento de um novo filme dos Power Rangers, boa parte dos críticos vai confessar que apreciava a série original na adolescência, mas eu sou tokusatsu japonês de raiz, minha infância foi pulando na frente da televisão, imitando os movimentos de Tsurugi, o Change Dragon de Changeman.


Cosmos (1980)
A série que me apresentou ao trabalho do grande Carl Sagan e intensificou meu fascínio pelos mistérios do universo. 


ALF, o ETeimoso (Alf - 1986 a 1990)
O querido dublador Orlando Drummond é a razão principal para esse título estar na lista. Ao pensar na série, eu volto no tempo imediatamente para as tardes de Domingo de minha infância.


Os Trapalhões (1969 a 1994)
O quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, os heróis nacionais de toda criança da década de oitenta. Maravilhoso humor politicamente incorreto, mistura de estilos, incorporando outras culturas como Monteiro Lobato fazia na literatura, um pedaço inesquecível da história da televisão brasileira.


Teatro dos Contos de Fadas (Faerie Tale Theater - 1982 a 1987)
Outro clássico da TV Cultura, cada episódio trazia histórias encantadoras e engraçadas do imaginário infantil com um elenco primoroso. O projeto foi idealizado pela atriz Shelley Duvall, de "O Iluminado".


Friends (1994 a 2004)
A curta duração dos episódios, a inteligência nos diálogos e a química irresistível do elenco garantem incrível valor de revisão. É uma fórmula, mas a execução é maravilhosa. 

Sobre as polêmicas ocupações de alunos em escolas públicas

Eu sempre fui um ferrado, nunca tive mesada na infância / adolescência, nunca viajei pra fora do país, nunca liguei para o status do consumismo (com exceção de livros e filmes, as duas paixões da minha vida), nunca tive aparelho de ar-condicionado no quarto, os gatos de estimação que tenho são resgatados da rua, eu deixava de comer lanche no recreio da escola pra adquirir revistas em quadrinhos na banca de jornal (que naquela época custavam muito barato), então creio que não me encaixo em qualquer conceito "elitista". Aprendi inglês sozinho, por osmose, com ajuda de muitos filmes em VHS legendados, e, já na adolescência, buscando a gramática em livros que pegava na biblioteca pública. Na juventude eu dei aulas particulares de inglês, munido de um cartão simplório artesanal de cartolina, demorou alguns meses, mas o boca a boca dos alunos funcionou e cheguei a dar aulas em comunidades carentes. O objetivo era exatamente poder ter alguma verba para adquirir ainda mais conhecimento. Hoje, devido à minha opção profissional, propagar cultura nessa nação, eu continuo sendo um ferrado, mas a esperança nunca morre.

Sempre fui um rato de sebos e bibliotecas, lugares onde os livros são gratuitos ou vendidos a preços irrisórios. Eu sempre tive um interesse quase arqueológico em aprender sobre os assuntos que me interessavam. Em uma época sem internet, tudo era muito mais difícil. Hoje em dia qualquer livro pode ser baixado em segundos, de graça em PDF, mas a juventude de hoje parece que perdeu totalmente o interesse pelo garimpo intelectual. A educação acadêmica não representa sequer 20% do que forjou esse escritor que, em alguns dias, completará 33 anos de idade. Nunca tive aulas de filosofia na escola, nunca fiz faculdade de cinema, nem de psicologia, mas sou apaixonado por todos esses temas, estudei todos eles na solidão do meu quarto, sou crítico de cinema/cineasta, e, posso garantir, eu já li mais livros de psicologia (muitos deles, cópias que conseguia nas faculdades fazendo amizade com os reitores) do que muitos estudantes da área. Na época em que fiz faculdade, a maior parte da turma estava mais interessada era na cerveja após as aulas.

Sei que estou me alongando, mas o tema é muito importante, para evitar simplificações equivocadas, extremistas. Eu considero um teatro absurdo e irresponsável essas ocupações de estudantes nas escolas. Eles, com falas e palavras de ordem fragilmente memorizadas, clichês desgastados, estão defendendo uma causa que sequer compreendem profundamente, sendo utilizados como massa de manobra por movimentos sindicais, com interesses políticos. Abra as portas de uma biblioteca pública maravilhosa na frente dessas escolas ocupadas, que essa garotada vai correr como o diabo foge da cruz. O sistema educacional brasileiro é terrível, enferrujado e muito pouco intuitivo, mas não é com esse teatro dos horrores, onde mães e pais são proibidos de entrar e já houve até um caso de falecimento, que a educação nacional irá melhorar por mágica, com o Brasil se tornando uma Suíça da noite para o dia.

Como eu sempre afirmo, a LUCIDEZ é a única salvação para o nosso povo. O indivíduo lúcido não se escraviza em visões extremistas, não vira massa de manobra, ele encontra divergências e convergências em tópicos defendidos pela "esquerda" e pela "direita", ele marcha no ritmo de seu próprio tambor ideológico, respondendo apenas aos seus princípios.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Entrevista com o cineasta Charlie Matthau, filho do ator Walter Matthau


Em mais uma entrevista exclusiva para o "Devo Tudo ao Cinema", conversei com o filho desse grande ator norte-americano sobre o seu legado artístico. Charlie, além de muito talentoso, também é extremamente gentil, enviou a foto ao lado como gesto de gratidão pelo carinho com que falei sobre seu pai. Eu cresci vendo os filmes da dupla Walter Matthau e Jack Lemmon. Enquanto o segundo transmitia doçura no olhar, o primeiro parecia aquele menino travesso da escola, mas com um coração de ouro. Por não se levar muito a sério, Walter não gostava da adulação de Hollywood, ele preferia entregar bons trabalhos, ao invés de satisfazer a indústria de mitos. Ele foi um dos mais versáteis atores de sua geração, ainda que muitos equivocadamente o reduzam aos seus personagens cômicos. 

O – Charlie, todos sabemos que Walter foi um ator fantástico, extremamente versátil, mas como era enquanto figura paterna? Eu acredito que tenha sido maravilhoso, criativamente falando, crescer com alguém envolvido na indústria do cinema/teatro. Compartilhe com meus leitores um pouco desse lado que só você conheceu. 

M - Eu fui muito abençoado por ter tido um pai verdadeiramente maravilhoso. Ele era generoso, gentil, caloroso, espirituoso, amoroso e sempre estava presente. Ele cresceu sem o pai, então ele tinha essa determinação de estar sempre comigo, pra me apoiar em tudo. E sou extremamente grato a ele por isso.  

O – Sua família foi muito próxima a de Charles Chaplin e Oona, você teve seu nome dado em homenagem ao mestre do cinema mudo. Vocês viam os filmes dele juntos? Fale um pouco dessa experiência mágica.

M - Vimos vários filmes do meu padrinho, ele foi o nome mais importante da era silenciosa, um dos inventores do cinema. Eu me sinto muito honrado de ter tido o privilégio de conhecer ele.


O – O que te fez decidir por se tornar cineasta? O seu pai sempre te apoiou nessa decisão? 

M - Eu sempre pensei que o diretor tem o trabalho mais interessante, exatamente por ser um contador de histórias. Meu pai me apoiou muito nessa decisão, sempre torceu por minha carreira, ainda que ele tenha me alertado que seria muito difícil conseguir trabalhos realizando essa função. Todos os filmes tem muitos atores e produtores, mas apenas um diretor. 

O – Como um fã de Elvis Presley, eu preciso te perguntar sobre "King Creole". Qual era a opinião do seu pai sobre o talento dele como ator? 

M - O Elvis era muito modesto. Meu pai me contava que, no primeiro dia de filmagens, Elvis se aproximou dele e disse que qualquer ajuda com relação à sua atuação, qualquer dica nesse sentido seria muito bem-vinda. Meu pai respondeu: "Elvis, eu já vi você atuando, você não precisa de qualquer tipo de ajuda". 


O – Matthau e Lemmon foram uma das melhores duplas da história do cinema. Qual era o elemento naquela amizade que você acredita que tenha sido a razão principal do sucesso? E, dentre todas as produções da dupla, qual é o seu momento favorito?

M - Creio que seja porque eles tinham um senso de humor muito similar, mas também defendiam "tipos" diferentes. E os dois eram atores geniais, de altíssimo nível. O meu filme favorito da dupla é "The Grass Harp" (Ensina-me a Viver, de 1995), que eu tive a honra de dirigir. Você não deve perguntar ao barbeiro se precisa de um corte de cabelo (risos). 

O – Eu gosto de "Gangster Story", que seu pai dirigiu em 1959. Eu sei que ele não tinha muito apreço pelo projeto, mas há potencial nele, percebo boas idéias dele naquela função. Ele tinha interesse em dirigir outros projetos?

M - Não, ele odiou dirigir. Ele achava que dirigir era uma tremenda chateação. Mas, pensando bem, quando você é Mozart, você realmente quer executar uma orquestra?

O – Quando comparo atuações dele em filmes como "O Homem Que Burlou a Máfia", "Um Estranho Casal" e "Flor de Cacto", fico impressionado com a versatilidade dele, mas era algo que ele fazia parecer fácil, cool, como somente os grandes atores são capazes de fazer. Como você resumiria a dimensão do talento dele como ator?

M - Ele era um em um bilhão. Não há ator melhor. 


O – Qual estilo de música o seu pai costumava escutar em casa? Quais eram seus cantores favoritos? 

M - Mozart e Beethoven. Os únicos cantores que ele gostava eram de ópera. O favorito dele era Ezio Pinza. 

O – Se você tivesse que selecionar apenas um filme do seu pai para preservar como o legado maior dele para a indústria do cinema, qual seria o escolhido? E a razão?

M - Eu escolheria "Uma Dupla Desajustada" (The Sunshine Boys, de 1975) porque aquela é a melhor atuação dele na carreira, mas ele está bem demais também em "The Grass Harp". Outro projeto subestimado dele que agora está disponível é "O Caçador de Dotes" (A New Leaf, de 1971), filme muito engraçado.

O – Charlie, grato demais pelo generoso tempo que concedeu ao meu blog. Você pode deixar uma mensagem especial para os meus leitores, os brasileiros que são fãs de seu pai?

M - Foi uma honra ser entrevistado por você, Octavio. Eu espero visitar o Brasil algum dia. Eu sempre estive apaixonado pelo seu país, desde que escutei pela primeira vez a canção: "Corcovado". E eu sou muito grato ao povo brasileiro por lembrar do meu pai com tanto carinho.